Electronic Asco, ou, Como o Capitalismo Destrói Tudo Que Você Ama Dragon Age Edition

Na manhã do dia 2 de Abril de 2019, Jason Schreirer publicou no Kotaku uma história muito interessante e dolorosa sobre como aconteceu o turbulento desenvolvimento de um dos jogos mais decepcionantes da atualidade: Anthem.

How Bioware’s Anthem Went Wrong

Eu pensei em entrar em contato com o Kotaku pra ter permissão de traduzir a história toda como ela foi realmente escrita, mas eu não tenho certeza ainda de como fazer esse contato (até porque o grupo Gizmodo já tem uma filial brasileira, mas eles parecem mais interessados em carro do que em videogame).

Enquanto isso não acontece eu preciso pelo menos tirar isso do meu sistema: Eu estou mais que decepcionada. Eu estou profundamente horrorizada.

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She-Ra, Marvel e As Princesas Sapatão

Final de abril vai estrear o novo filme dos Vingadores, e eu até pensei em entrar no trem do hype e fazer algo relacionado aos filmes da Marvel. Mas pra que bater em cachorro morto?

Filmes da Marvel não são nada além de bons. Filmes gostosos de ver no cinema e comentar com os amigos, mas no final das contas é o mesmo filme sendo lançado 3 vezes por ano.

Capitã Marvel, entretanto, me intrigou. Não sobre o filme em si – ele é exatamente como todo mundo esperava que ele fosse – mas sobre uma outra super heroína loira consideravelmente parecida. E o produto criado para promover essa outra super heroína é muito mais interessante pra mim como crítica midiática do que a Capitã saiya-jin.

Essa super heroína é a She-Ra de She-Ra E As Princesas do Poder, desenho animado lançado em 2018 na Netflix que ganhará uma segunda temporada na mesma semana do lançamento de Vingadores: Ultimato no final desse mês.

Então como uma boa crítica interessada em trabalhos audiovisuais envolvendo super-heroínas eu vou falar sobre She-Ra e todas as suas semelhanças e diferenças com as heroínas da Marvel, do Steven Universo e dos demais trabalhos de Noelle Stevenson.

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Gratidão e Minecraft no Equinócio de Março de 2019

Eu sei. As coisas andam meio estressantes ultimamente e não parece que tem muita coisa pra gente ser grata acontecendo. O mundo tá uma bosta e as nossas vidas pessoais provavelmente também estão uma bosta. E se você quiser botar a culpa nas estrelas, a estrela em questão é o Sol, que no dia de hoje entra em equinócio com o nosso planeta e logo deixará de agraciar o hemisfério Sul com seu calor escaldante.

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Liberdade no capitalismo tardio?

Eu estava escrevendo uma série de textos chamada “diar.ptx” um tempo atrás, e… Eles são textos péssimos. Extremamente reacionários e assustados com o mundo sem nenhum tipo de conclusão útil. É só eu tendo medo de viver.

Eu quero corrigir isso.

Eles vão continuar ali pelo bem do arquivamento e por me lembrar do quanto eu fiquei girando em círculos sobre minhas próprias convicções por simplesmente estar com medo. Mas vamos tentar fazer algo mais útil com isso.

Uma pessoa importante na minha vida me disse outro dia que eu to patinando. Não acertou exatamente o motivo das minhas patinações, mas me fez pensar… O que eu to fazendo de errado na minha vida? Porque parece que eu só to correndo atrás do meu próprio rabo a tanto tempo?

Eu achei que essa corrida tava acontecendo desde dezembro, mas na verdade começou em novembro, extremamente bem ilustrado pelo meu texto “não existe liberdade no capitalismo tardio – diar.pt1“. Irônico né? Em todo meu medo do que o capitalismo estaria fazendo pra me manipular eu fui manipulada, igual um patinho.

Se por algum motivo depois dessas eleições ou depois de qualquer evento traumático associado ao sistema que a gente vive fez com que você ficasse com medo de existir ou apavorada com qualquer coisa como eu fiquei, eu quero aproveitar essa oportunidade pra te pegar pelos ombros e dizer “Sai dessa. Tá tudo bem”.

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Resenha: Black Mirror Bandersnatch

“Black Mirror é uma série insuportável.” Disse Thiago Baptista, e eu estrondosamente gritei “SIM, OBRIGADA” porque eu detesto essa série. Mas… Eu gostei de Bandersnatch? E eu não vi ninguém falando das mesmas coisas que eu acabei gostando desse filme-jogo.

Versão sem Spoiler: É divertidinho. Se você gasta 2 horas da sua vida discutindo política com estranhos na internet, você pode gastar 2 horas num joguinho bobo em um serviço que provavelmente você já assina e não tem que pagar nada a mais. ¯\_(ツ)_/¯

Mas fica o aviso de conteúdo pra quem pode sofrer triggers com algumas coisas mostradas: drogas alucinógenas, suicídio, gore.

Okay, agora o texto de verdade.

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Lughnasadh 2019, Donkey Kong 64 & Visibilidade Trans

Sabe quando você está jogando um RPG medieval qualquer, e aí você chega num vilarejo aleatório e está tendo um “festival da colheita” cheio de jogos, brincadeiras, e quitutes deliciosos? Mas, principalmente, um campeonato que suas personagens provavelmente vão ser obrigadas a participar?

Talvez a sua narradora não saiba, mas isso provavelmente foi baseado numa celebração que os antigos irlandeses chamariam de Lughnasadh, que ainda acontece tradicionalmente no dia 1 de Agosto na Irlanda e outros lugares que herdaram essa cultura no hemisfério norte, ou no dia 2 de Fevereiro para neo pagãs do hemisfério sul.

E o Lughnasadh foi bastante especial esse ano, graças a Donkey Kong 64, sereias e um certo menino que adora soja.

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Apesar de tudo, jogos ainda são arte.

Eu to tentando falar sobre videogames como arte desde que a Thais Weiller publicou “Jogos Não São Arte” (texto que você provavelmente deveria ler), e eu queria muito elaborar um contra ponto pra mostrar o quanto eu discordo do seu ponto, mas, no final das contas, depois de 2 anos de deliberação, eu noto que ela está certa… Mais ou menos.

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Trabalhe Como Um Gato: O Motivo Pelo Qual Você Deveria Relaxar No Trabalho

Esse texto foi originalmente escrito em inglês por Emerican Johnson no site non-compete sob o título Work Like a Cat: Here’s Why You Should Slack Off At Work. Esta é uma tradução livre para o português brasileiro, com algumas adaptações culturais (churrasco no lugar de piquenique por exemplo) para que o texto faça sentido no nosso contexto. E seguindo o padrão linguístico do blog de usar o gênero feminino como neutro, exceto quando se referindo a entidades opressoras ou quando a masculinidade do sujeito esteja explícita.

O texto precisa, entretanto, de contextualização sobre cultura de sabotagem, que você pode conseguir com esse vídeo caso não esteja familiarizada com o contexto.

Agora sem mais delongas…

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Tomem os meios de comunicação

Você quer que a revolução aconteça? Sim? Eu também. E Marx já dizia que para que a revolução acontecesse, a classe trabalhadora deveria tomar os meios de produção. E no mundo pós apocalíptico neoliberal distópico cyberpunk de capitalismo tardio que a gente vive, comunicação também é produção, e nós podemos e devemos tomar os meios de comunicação.

Na verdade, tomar os meios de comunicação será o primeiro passo da revolução do séxculo XXI pois a revolução não pode ser organizada em meios de comunicação controlados pelo capitalismo.

Existem várias formas de tomar os meios de comunicação, mas a primeira dela é rejeitando a comunicação por meios burgueses. Nesse post eu vou tratar justamente de como evitar os serviços de mensagem burgueses e tornar a sua internet o melhor possível para VOCÊ e não para o capital.

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