O Perfeito Equilíbrio do 20 de Março

Quando eu tava pesquisando quais jogos utilizar pra celebração do Equinócio de Março desse ano eu acabei esbarrando na maior coincidência possível pro meu trabalho mágico aqui no Blog.

No dia 20 de Março à 00:49 o Sol estará perfeitamente alinhado com a linha do Equador, criando o que nós chamamos de equinócio! Aquele momento do ano em que o dia e a noite têm o mesmo tempo de duração.

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Mas Naquela Época! Elfos, Fadas e Anões.

Orlando Bloom de peruca loira surfando uma escadaria com um escudo enquanto atira flechas certeiras num exército de orcs. Se Tolkien já havia solidificado uma ideia de elfos bastante particular na mente das leitoras de fantasia, Peter Jackson criou uma imagem ainda mais incrível na mente do público geral.

Elegantes, esguios, sem pelos faciais, extremamente atraentes e amantes de todas as coisas da natureza. Tolkien, Gygax, Jackson e todos os seus contemporâneos e sucessores resolveram representar elfos assim, como seres de luz e sabedoria que vieram de outro mundo. Romântico, não?
Mas essa não é a única forma de se representar elfos.

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Responsabilidade Mútua em Lughnasadh e RimWorld

Quando Aragorn, o legítimo rei de Gondor, reconquistou seu trono, houve paz e prosperidade. Simba trouxe de volta a abundância e a justiça para o reino da savana. Hamlet, Arthur, Caspian, Zelda, T’chaka, Vanellope. Todo rei e rainha que se prese precisa lutar pelo bem estar do seu reino, e garantir que ele prosperará em suas mãos responsáveis e não cairá nas garras do vício, da ganância e da… “maldade”.

Por mais problemáticas que sejam histórias do “verdadeiro rei aparecer e tudo ficar bem” sejam, há um elemento mitológico que torna as lições desse tipo de história em um tipo de verdade interna que podemos levar para nossas vidas.

Essas verdades internas podem ser chamadas de arquetípicas, e o que o arquétipo do rei que retorna ao seu reino depois de enfrentar grande perigo nos ensina que para termos prosperidade nas nossas vidas é necessário responsabilidade e sacrifício.

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Por que eu me recusei a assistir Star Wars Episódio IX: A Ascenção Skywalker

No finalzinho do ano passado eu decidi assistir todos os Star Wars com minha namorada em ordem cronológica.

Nós duas crescemos com Star Wars, sempre amamos a franquia mesmo nos seus pontos mais baixos, e ambas acreditávamos que a aquisição da Disney tinha sido a melhor coisa que aconteceu com Star Wars desde as Guerras Clônicas do Cartoon Network (aquele desenho 2D).

Ahhhh hahahahaha! Ledo engano, mocinhas.

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Mas Naquela Época! Raças e o Trono de Ouro

Há MUITO tempo atrás eu escrevi duas matérias sobre como preconceito sexual surgiu na história do nosso mundo e como ele acabou sendo refletido de maneiras positivas e negativas dentro da Fantasia Medieval. E eu ia continuar o assunto explicando como Dragon Age lida com esse legado do nosso mundo para criar uma experiência muito diferente e refrescante.

Mas eu e Dragon Age terminamos o nosso relacionamento. Eu olhei pra todos os abusos incentivados pelo estúdio responsável pelo meu cenário de RPG favorito; olhei para o fato de que ele logo provavelmente será abandonado pela EA Games; olhei para todos os suplementos que ainda teriam que ser lançados para tornar Dragon Age um jogo verdadeiramente bom; e olhei pra Green Ronin simplesmente desistindo de esperar e lançando Fantasy Age no lugar. Olhei pra isso tudo e me senti obrigada a olhar nos olhos de Dragon Age e dizer “sinto muito, mas não tenho como continuar desse jeito”.

Nos abraçamos com um último beijo no seu rosto e partimos para onde os ventos pudessem nos levar.

Eu não sei onde Dragon Age está agora, mas eu me senti desolada depois do nosso término. Procurei e procurei por substitutos apropriados. Terry Pratchett? Shadowlord? Nada satisfazia o vazio ideológico deixado por Dragon Age. Então eu decidi tentar o impossível: Criar meu próprio cenário!

Depois de muitas noites mal dormidas olhando pra uma tela vazia do Word, eu finalmente consegui fazer… Algumas raças pra jogar com o sistema Modern AGE. E aí eu desisti de vez porque The Witcher apareceu como um bom substituto e eu não precisava mais fritar minha cabeça criando meu próprio cenário.

Mas aí eu pensei. Criar um cenário pode ser útil como exercício para analisar algumas problemáticas comuns dos mundos de Fantasia Medieval. Então, nesse texto, além de trazer pra vocês a problemática das Raças na Fantasia Medieval, introduzirei pra vocês O Trono de Ouro, uma fantasia da era das navegações sobre luta de classes e conflitos culturais.

E como eu comecei a escrever o cenário pelas suas dinâmicas raciais, acredito que esse seja o melhor ponto para começarmos nossa jornada.

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Mario e Sonic Praticando Esportes no Solstício de Verão de 2019

Puta que pariu, que calor. Puta que pariu que estresse. Eu amava natal até pouco tempo atrás, mas quando você resolve trabalhar em varejo vira literalmente a pior época do ano. É um corre corre infernal pra comprar presentes! Crianças são levadas pro shopping pra ter um curso intensivo de consumismo e isso me enoja.

No meio do estresse desse trabalho temporário eu acabei esquecendo que dia 21 foi um dos Sabbaths Menores, o Solstício de Verão. O que é irônico porque consumismo, querendo ou não, acaba tendo tudo a ver com esse solstício, mesmo que de forma deturpada e corrompida.

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Assistir Netflix E Jogar Videogame Virou Trabalho

Você consome, vive, experimenta ou decodifica mídia? Mike Rugnetta fez essa pergunta em 2016, e hoje com os anúncios de que a Netflix vai te permitir assistir o seu acervo em 1.5x a velocidade normal essa pergunta volta pra minha cabeça.

Stuart Hall argumenta que o consumo de mídia não é passivo. Experimentar arte é um processo complexo de codificação e decodificação que sempre acontece de uma decisão ativa da parte consumidora de fazer parte desse processo. Esse consumo resultará em algum subproduto – geralmente na forma de opiniões, crenças, posicionamentos, sentimentos, reflexões e outras obras de arte que a própria consumidora pode criar – sob o qual as experiências, crenças e pontos de vista do próprio consumidor terão ainda mais peso do que aquilo que o próprio autor colocou sobre a mídia que foi consumida.

Existem várias formas de consumir mídia, e, a partir desse ponto de vista, Rugnetta argumenta que o ato do que nós fazemos com mídia na verdade é uma decodificação – não um consumo – que exige todas essas experiências e decisões para criar diferentes subprodutos. Por isso pessoas diferentes podem ter leituras diferentes da mesma obra, ou uma pessoa só é capaz de ler uma obra de várias formas diferentes sem que nenhuma delas esteja inerentemente “certa” ou “errada”.

A mídia, entretanto, e as obras de arte em particular, vem sido sucateadas pelo neo liberalismo que dita que todas as faces das nossas vidas devem ser produtivas de alguma maneira. Consumo ou decodificação de arte outra hora foi prazer, mas agora é um trabalho que quase todas nós tomamos parte. E não parece haver escapatória.

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Sendo Gostosa Que Nem A Bayonetta no Beltane de 2019

Por incrível que pareça, o dia das bruxas não é oficialmente celebrado por nenhuma religião neo pagã que siga a roda do ano do hemisfério Sul. Afinal, aqui estamos no meio da primavera e a energia natural é bem diferente no hemisfério Norte onde o outono começa a dar espaço pro inverno.

O dia 1 de novembro para pagãs do nosso hemisfério é o dia de Beltane. O festival do sexo, da fertilidade e do casamento. Onde humanos, bem como vários outros animais na primavera, cortejam uns aos outros para trocar carícias, fluídos, e as vezes, genes. Tentando imitar a Deusa e o Deus que hoje se casam.

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