Loneliness

Eu estava revisando alguns materiais pro planejamento do meu próximo jogo quando esbarrei com isso de novo…

O jogo se chama Loneliness. E é exatamente sobre isso: solidão.

Jogue antes da gente continuar conversando. Ele dura uns 3 minutos no máximo:
http://www.necessarygames.com/my-games/loneliness/flash

Jogou? Ótimo.

O tal material que eu estava revisando usa esse jogo como exemplo para mecânicas metafóricas que dão um significado narrativo para as escolhas des jogadores. Ele exemplifica como diferentes pessoas vão interagir e e reagir de formas diferentes a essas mecânicas.

Por exemplo: Uma pessoa pode tentar interagir com todos os bloquinhos, sem perder a esperança de que um dia ela encontrará o seu lugar, enquanto outra pessoa simplesmente passa a ignorar o escárnio dos outros bloquinhos enquanto segue o seu caminho. E estas são apenas duas de infinitas possibilidades que esse jogo oferece.

Solidão sempre foi uma parte grande da minha vida, uma parte de profunda tristeza e introspecção, mas de uns tempos pra cá (particularmente com o início da transição) minha solidão tem sido mais associada com raiva, e só notei isso agora, depois de jogar Loneliness pela segunda vez depois de mais de 2 anos.

Claro, eu chorei tanto quanto antes, mas agora eu estava correndo em direção aos outros bloquinhos e gritando mentalmente: “É, EU SOU TRANS! É ISSO AÍ! SAI CORRENDO! VOCÊS NÃO CONSEGUEM AGUENTAR NADA DIFERENTE NÉ, SEUS PORRA! É! FOGE! VAI EMBORA!” Ativamente afastando todos os bloquinhos de perto de mim antes que eles pudessem se aproximar.

E agora me pego pensando sobre minhas mudanças de comportamento desde o início da transição. O fato de eu gritar que eu sou trans como se fosse algo para temer seria pelo fato de que eu tenho medo de fazer conexões e estou usando a transfobia das outras pessoas para me proteger? O medo poderia existir por conta da visão de “pessoa superficial” que a sociedade cisnormativa tem sobre mulheres trans? Ou será que eu só estou de saco cheio das transfobias do dia-a-dia e uso esses berros como uma forma de peneirar minhas companhias?

São perguntas difíceis que normalmente só seriam feitas numa sessão de psicoterapia, mas quantas vezes você questionou seu comportamento baseando-se na forma como você interagiu com essa obra de arte? Muito poucas vezes, eu presumo.

Essa é a beleza de mídias interativas – de jogos. Essas obras lhe dão o poder de escolha, e quando você pensa nas escolhas que você fez no jogo – na forma como você interagiu com as mecânicas que lhe foram apresentadas – você pode começar a pensar sobre as suas ações na vida real.

E é muito bom, pelo menos na minha opinião, quando jogos te fazem fazer as perguntas difíceis. Principalmente quando o jogo nunca lhe pergunta nada.

PS:
Você pode assistir o tal material que eu estava estudando aqui:

Um comentário sobre “Loneliness

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