Jogos Cor de Rosa

Esses tempos, minha amiga Clarice publicou no blog dela um post sobre deixar as garotas gostarem das coisas que elas gostam em paz. Ela citou outro texto que questiona porque devemos odiar coisas que garotinhas de 13 anos amam (em inglês). Isso me lembrou um texto que uma amiga havia me passado a muito tempo sobre porque algumas garotas que se sentiam bem jogando videogames 2 décadas atrás agora se sentem expulsas (em inglês). E mais recentemente, o PBS Game/Show lançou um vídeo fazendo questionamentos sobre a desvalorização cultural de “jogos cor-de-rosa” (Também em inglês. Foi mal galera =P). E eu quero falar disso também. Por quê? Bom, porque mesmo não me encaixando em qualquer definição binária de “mulher” eu amava joguinhos “de menina”. E o meu irmão, que é um homem cis, também amava.

Barbie_NES_box_artJogos “cor de rosa” começaram na época do NES, quando o primeiro boom dos videogames criou uma mentalidade da indústria que jogos são brinquedos e não… jogos. Então pra vender pra garotas começaram a lançar cartuchos cor-de-rosa  para vários consoles diferentes com joguinhos bobos envolvendo moda, barbie, bichinhos fofinhos e afazeres domésticos. Videogames foram polarizados pelo mercado ocidental nos anos 80.

Essa polarização de jogos se tornou algo muito forte aqui no ocidente, estendendo-se além da venda de jogos de console pra crianças, mas no mundo dos jogos de Flash. Vários sites chamados “jogos para garotas” apareceram em contraste com sites como “click jogos” que não faziam menção nenhuma a masculinidade, mas pela existencia dos sites cor-de-rosa tinham essa característica implicita.

“Click Jogos é pra meninos e tem jogos legais. Jogos para Meninas é pra meninas e tem jogos chatos.”

Eu e meu irmão secretamente logavamos nesses sites cor-de-rosa pra brincar de joguinhos de trocar roupinha e nós adorávamos. Claro que só fazíamos isso entre nós 2. Nenhum dos nossos primos iria compartilhar a ideia de que um “jogo de menininha” pode ser divertido.

Esses jogos rosados foram criados para criar uma audiência nova e dar mais lucro pras publicadoras de videogames e sites de jogos de flash. E os motivos e as formas como essas coisas foram feitas não são nem um pouco saudáveis. Segregar meninos e meninas enquanto reforça padrões binários potencialmente nocivos pro desenvolvimento psicológico de uma criança nunca é algo bom. E esse tipo de prática deve ser condenada, mas não se deve diminuir a vivência das pessoas que experienciaram esses produtos de forma saudável.

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Quem segue a minha página do Facebook conhece bem o meu vício nesse criador de avatares do Rinmaru Games <3

Eu jogo jogos de vestir bonequinhas até hoje. Adoro montar casinhas e cuidar de bichinhos virtuais. E eu secretamente desejo do fundo do meu coração que todos os jogos que eu jogo sejam um pouco The Sims.

Ás vezes garotas, e até garotos e pessoas não-binárias e agêneras, gostam de rosa, princesas, moda. Por que isso deveria ser um problema? Porque é bom gostar de Beyond Good and Evil, mas é ruim gostar de Super Princess Peach ou de Disney Princess: My FairyTale Adventure?

O que me deixa estupefata (olha, uma palavra chique) é a forma como “jogos de garotas” mais que obviamente influenciaram a indústria de jogos que qualquer outro “gênero”, e ainda assim, esses jogos são marginalizados como não sendo importantes pros videogames.

Muito antes do seu tempo, esses famigerados “jogos de menina” estavam muito a frente dos outros jogos em relação a customização de personagens. Houveram jogos inteiros baseados em escolher roupas, cabelo, olhos, rosto e cor de pele para as suas personagens dentro desse “gênero de jogos”. Antes dos grandes CRPGs sairem pros garotos brancos dos estados unidos, “jogos de meninas” já tinham uma porrada de tons de pele diferentes pra escolher.

Sistemas de administração de organizações começaram com jogos de casinha.

A utilização de sentimentos e e laços sociais como mecânicas de jogo começou com dating sims femininos (os masculinos usam isso como recompensa, não mecânica. Talvez eu fale mais disso outra hora).

E eu nem preciso falar nada sobre o Tamagochi né?

É triste que jogos aqui no ocidente tenham sido generizados dessa forma. Talvez tivesse sido melhor que a nossa indústria fosse mais parecida com a do japão, em que poderíamos ter jogos como Kirby’s Dream Land sem ter que ficar pensando se esse jogo é pra meninos ou pra meninas, mesmo que nessa segregação nós tenhamos criado gêneros de videogame que contribuíram e muito para o desenvolvimento da arte como um todo.

animal-crossing-3ds-screenshot-tom-nookE seja como for, esse paradigma de “vergonha com jogos de menina” está mudando. Animal Crossing e Nintendogs + Cats são alguns dos jogos mais populares do Nintendo 3DS. Mais e mais pessoas aparecem nas comunidades de videogames dizendo “então… Na real eu gosto de The Sims”. A ideia de “jogos de menina” e “jogos de menino” tem mudado para englobar todos os jogos como apenas jogos, e isso é uma coisa maravilhosa.

Nós não precisamos diminuir ou ridicularizar coisas que meninas pequenas gostam, e nem nos envergonhar por gostar dessas mesmas coisas. Nós devemos abraçar nossas paixões e trabalhar nelas, seja ela qual for, sem tentar envergonhar as outras pessoas pelas suas próprias paixões.

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