Presenha: Drillit! A Fuga da Montanha de Cristal

Sabem onde a Felicia foi nesse último sábado, dia 27 de fevereiro de 2016? Na 28ª Curitiba lúdica. E sabem quem estava lá? Dois representantes da Papaya Editora prontos para demonstrar um novo jogo que eles vão lançar: Drillit!

Drillit! é um jogo cooperativo  relativamente rápido pra 2 até 4 jogadores em que você e sues amigues são gnomes com a missão de explorar uma montanha, coletar cristais, e sair antes que os goblins que vivem nessa montanha explodam seu tanque-furadeira.

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Tirei essa foto lá, depois que vencemos a primeira partida.

É um jogo extremamente divertido, que parece difícil a princípio, mas é sempre vencível.

O hexágono grande no meio é o que representa o seu tanque-furadeira e os arredores, enquanto os hexágonos menores representam o caminho que você e seu grupo de colegas gnomiques tomam para fugir da montanha.

Esse é um daqueles jogos com tabuleiro modular (em que ele muda constantemente), misturado com um baralho de eventos que representa a não-predicabilidade do jogo.

O seu objetivo é escavar um caminho para fora da montanha, montando o caminho com esses pequenos hexágonos do ponto A até o ponto B, dando a volta no tabuleiro principal. E a dificuldade pode ser alterada, decidindo onde exatamente será o ponto B.

O jogo tem 5 classes as quais você pode escolher, mas considerando que o número máximo de jogadores é 4, a quinta classe se torna inútil, já que as habilidades especiais dela são bastante inúteis comparadas com o resto da equipe.

O jogo parece difícil às vezes, principalmente pelo quanto o baralho de eventos pode aparentemente acabar com o seu jogo. A mecânica de colecionar e gastar cristais pra rebater esses eventos balanceia o jogo de uma forma muito legal e interessante, e me deu a impressão de que com a estratégia certa, qualquer jogo pode ser ganho.

Mesmo assim, eu achei a dificuldade do jogo um problema. Se você só está jogando entre duas pessoas, conseguir chegar no final da montanha no modo “difícil” é quase impossível. O jogo não tem pena de grupos pequenos, e as mudanças mecânicas pra grupos pequenos ou maiores é muito irrelevante, e acaba trazendo outra camada de complexidade pro jogo: O número de jogadores interfere na dificuldade de forma inversa. Mas isso não tirou a minha impressão que as estratégias certas sempre podem ganhar o dia.

caixa_frente_drillit_papayaOutro problema que eu tive com o jogo é que todas as classes são representadas como gnomos homens ultra-masculinos (exceto o robô, que é a classe inútil). Por acaso não existem gnomos mulheres, não-bináries, femininas ou no mínimo menos hiper-masculinos? Esse jogo tem uma falta de representatividade preocupante, que na verdade é mais um sintoma de um problema muito maior que existe no mundo dos jogos, onde mulheres não são bem-vindas e são tratadas como enfeites ou intrusas.

O setup do jogo também é desnecessariamente complicado. Embaralhar os eventos é uma tarefa específica demais, pois veja: Você deve separar as 5 cartas de Abismo, separar o baralho em 6 partes, colocar uma carta de abismo em cada uma dessas partes, deixar a parte sem abismo no topo do baralho, e as colocar as outras embaixo.

Se não fosse por essa forma extremamente específica de se embaralhar o baralho de eventos, o jogo se tornaria injogável, por que se caíssem 3 abismos seguidos um do outro, o jogo seria imediatamente perdido, e a riqueza estratégica dele iria por água abaixo.

Ainda assim é uma forma chata pra caramba de se embaralhar cartas, mas não tem como tirar porque faz parte do balanço do jogo. Se fosse pra ser corrigido, mais da metade do jogo todo teria que ser refeita.

No mais, eu me diverti pra caramba jogando. É rápido, divertido, difícil, mas justo. E uma ótima pedida pra pequenas reuniões de amigues pra poder passar o tempo.

O financiamento coletivo pra Drillit! vai começar dia 10 de Abril de 2016, e quem sabe vale a pena apoiar o projeto pra ver umas gnomas meninas entre o grupo de roubadores de cristais.

P.S.:

Não, a palavra presenha não existe. É um trocadilho.


Bônus round: 28ª Curitiba Lúdica

No evento de sábado eu também joguei Masquerade, Arcadia Quest e Dungeon Roll, mas não o suficiente pra resenhar. Quem sabe um dia eu falo deles de volta…

Mas tem fotas!

Acharam que ia ter foto minha né? Há!

Seja como for, o evento foi bem legal, e nessa edição também teve bem mais mulheres do que na última! Vamos trazer mais gurias e pessoas trans pros jogos de mesa!

Vamos causar, gente <3

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