LGB, sem o T

Trigger Warning: Bifobia, Transfobia, Linguagem pesada.

Você é feminista? Ativista dos direitos gays? Ativista LGBT? De esquerda ou anarquista?

O seu movimento acolhe pessoas trans? Ou ele nos trata como um sintoma de um mundo opressor que não deveria existir?

O Feminismo bucetista não é novidade pra ninguém. E o Movimento GGGG já é motivo de cuidado entre pessoas LBT. Bis sabem o quanto é difícil se sentir invisível em um movimento que deveria reconhecer todas as formas de amor, mas não reconhece a capacidade dessas pessoas de amar, porque ela é “indecisa”.

Mas sabem o que é pior? Quando um suposto movimento de igualdade social que tem a letra “T” nele que, supostamente, significa “Trans”, faz com que as pessoas trans passem a temer pela própria vida.

Quando a sigla de um dos maiores movimentos sociais do mundo parece que tem a última letra só de enfeite.

Semana passada, uma garota trans foi espancada por um grupo de homens gays.

O “movimento LGBT” não tem nada de T nele.

[…] é fácil perceber a má fé em relação a um bolsonaro qualquer. Mas estamos vendo diversos discursos, ao mesmo tempo difusos e sistemáticos, em nome do feminismo, marxismo e luta anti-homofobia, que estabelecem que pessoas trans são, ora culpadas de alguma coisa que é socialmente terrível, ora sub-produtos de uma suposta relação de forças malignas da sociedade.

Bia Bagagli

Eu não posso falar muito desse espancamento porque, pra segurança da menina, ela pediu pra mais ninguém compartilhar. Mas como que a gente pode duvidar que tal coisa pode ter acontecido? Os sinais dessa violência contra pessoas T, e a total falta de consideração conosco pelos movimentos sociais de resistência é gritante.

É fato de que o Brasil é o país que mais mata pessoas T no MUNDO. E  em menos de um mês, mais de 50 pessoas T morreram (e foram registradas como T).

Sempre tem uma mina trans na internet relatando os abusos que ela sofreu na última noite de sexta-feira quando o cara da balada descobriu que ela tinha um pinto. As Drag Queens brasileiras não cansam de transformar travesti em piada. E nem me deixa começar a falar sobre as TERFs, que aí fica MAIS pessoal ainda e eu vou começar a xingar meio mundo aqui.

O fato é que, por mais que esses movimentos de resistência de pessoas marginalizadas deveria incluir pessoas trans neles, estes raramente o fazem. E o LGBT em particular acaba destruindo o T tanto por dentro quanto por fora.

Eu nunca fiz parte da comunidade gay. Mesmo quando eu achava que era um menino gay eu nunca fiz parte real dessa comunidade, graças à minha introversão e interesses que pouco tem a ver com a “cultura gay”. Mas eu fiz parte da comunidade yaoi.

E cara… Como essa comunidade adora fetichizar menininhos de vestidinho! Nessa época, lá pelos meus 13 anos, eu realmente achava que a minha vontade de me vestir de menina era um fetiche e que eu provavelmente gostava de homens (vai sonhando) por causa de desenhos como… Boku no Pico.

Mas esses “meninos de vestido” nunca passaram disso. “Meninos de vestido”. “Traps”. “Armadilhas”. “Enganadores”. “Travecos”. “Homens de saia”.

Anos depois de eu descobrir que eu não era gay (basicamente depois de transar com um homem e não gostar), eu comecei a assistir Ru Paul’s Drag Race e eu fiquei abismada com a falta de vergonha que essas drags tem de reproduzir todo tipo de transmisogina “pelo bem da comédia”.

Pule mais alguns anos, depois de eu já ter transicionado, conheci meu amigo Davi (cujo nome de palco é Branca Loveless) que algumas vezes reclamou pra mim que as suas amigas drags ficam chamando uma a outra de “trans finíssima” e “travesti”, sendo que continuam vivendo as suas vidas como homens enquanto reproduzem um monte de transfobias no palco pro divertimento de um monte de homens gays cisgêneros. (Só pra deixar bem claro, nem toda drag faz isso. Acho que o próprio Davi é prova disso)

Homens gays e homens héteros não são muito diferentes no sentido de que ambos nos vêem como meros objetos. Seres ridículos dignos de pena que só pertencem aos palcos das boates e aos vídeos do RedTube.

Até ativistas do movimento gay de novo e de novo afirmam isso nos seus trabalhos e nas suas falas públicas. A imagem abaixo é pesada. Se você não tem estômago pra ler coisa de gente babaca que acha que tem razão, não leia.

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MEU

MEU

*respira fundo*

Vou colar aqui o comentário de outra pessoa trans em relação ao print:

Quando eu digo que discurso auto intitulado “feminista radical” culpabiliza pessoas trans pelas violências que sofrem, as pessoas estranham. Mas é exatamente isso que acontece na medida em que um discurso que se propõe critico ou libertador não trabalha criticamente o discurso transfóbico. E ai ele reproduz transfobia, culpabiliza indivíduos pelas violências transfóbicas.

Esse print é sintomático. Percebam o mosaico de discursos: não se trata de apenas um discurso transfóbico por si só. Não é apenas um bolsonaro falando. Ele fala em “estereótipos de gênero” – isso não lembra alguma coisa? Percebam como elementos provenientes desse discurso feminista aparecem sub-repticiamente nesse discurso de forma mais ou menos espontânea? Isso é sintomático.

Transfobia nesse pretenso discurso crítico não vem só de mulheres, pra deixar evidente com esse print. Estamos vendo cada vez mais homens falando essas coisas, agora não apenas em nome do feminismo, mas em nome da luta intitulada “anti gay-fobia”.

O cara diz acerca dos dados de exclusão das pessoas trans não como denúncia de uma sociedade injusta e transfóbica, mas como argumento de que pessoas trans são essencialmente abjetas, indesejadas, erradas… “não passam de” (ou seja, nossa existência é limitada por si mesma por normas, por “fetiche”); pessoas que se relacionam conosco são necessariamente fetichistas, doentes (veja a ironia aqui, nós mulheres trans somos as que mais criticamos a nossa objetificação, mas não com o intuito de naturalizar os estigmas ligados a nós e eventuais companheiros; neste caso não se está realmente criticando a objetificação, se está imputando uma essência abjeta, que perpassa até mesmo os sujeitos que se relacionam conosco!); “só servimos pra isso” (não meu caro, ninguém “tem que servir” pra nada viu? nós pessoas trans lutamos contra isso!); “somos um buraco humano fácil e mais barato” (designação extremamente semelhante que feministas radicais fazem das mulheres trans); “fingem que são mulheres” (afinal, as únicas pessoas que não fingem são as cisgêneras). Pessoas trans não tem acesso a saúde, a educação e ao mercado de trabalho e o que o sujeito conclui? 1) a sociedade expulsa esses sujeitos destes espaços ou 2) esses sujeitos são “fardos” para a sociedade. Por aí vocês podem perceber o teor de culpabilização de indivíduos pelos fatos estruturais de opressão.

“Esse verme apanhou pouco”. “Fardo que carregamos”. Não só culpabiliza: deseja a violência contra nós. Nossa existência é tão errada e indesejada pelo movimento social de pessoas cis que é melhor que aja mesmo muita violência contra nós. Para que nós nem sejamos capazes de nós levantarmos contra ela.

Nós não gostamos: e não vamos morrer. Não sem antes nos levantarmos e resistirmos. Não vamos deixar passar como natural as nossas mortes sistemáticas.

Bia Bagagli

Pessoas trans, em especial mulheres trans (mas sem excluir os homens e es não-bináries), não são bem-vindas entre os gays. E eu acho que faz sentido.

A gente não é gay. Nunca foi. Nunca vai ser. Não podemos esperar que os cisgays entendam quem nós somos porque eles ainda vivem na antiga caixinha do mundo GLS em que nem mesmo homens trans que gostam de outros homens podem se encaixar.

Eu queria falar sobre as experiências dos homens trans gays dentro dessa comunidade, mas infelizmente, eu não posso (homens trans gays e outras pessoas não-binárias masculinas gays estão convidados a vir conversar comigo sobre o assunto no facebook, nos comentários ou no meu e-mail).

Do que eu posso falar é sobre ser uma trans lésbica, no meio das cis lésbicas.

Primeiro, me deixem jogar um feitiço aqui pra afastar TERF.

Agora que estamos em devida segurança, deixa eu falar pra vocês uma coisa mágica…

MULHER NÃO É SÓ QUEM TEM BUCETA!

Chocante né? Eu sei. Mas algumas mulheres no movimento feminista tem uma grande dificuldade de entender isso. Essas são as TERFs. “Trans Exclusionist Radical Feminist”. São as tais “feministas” que gostam de chamar pessoas como eu de “piroco” e “macho de saia” e “estuprador disfarçado” e “Armadilha”. Notaram uma semelhança?

São feministas que acham que gênero se resume a pinto e buceta. Feministas que acham que todas as mulheres do mundo tem algum tipo de obrigação moral de serem lésbicas, por que ficar com um homem é defender o patriarcado.

Feministas que acham que homens trans são mulheres seduzidas pelo patriarcado, que tentam se fingir de homens num mundo que as odeia por ter buceta….

Eu tenho um medo legítimo de ir em paradas LGBT. Medo que não tem nada a ver com a minha agorafobia.

Tem a ver com o fato de que sempre vai ter uma lésbica TERF lá, procurando uma travesti pra ela rachar ou um homem trans pra “ter pena” e “converter”.

TERFs, ao contrário dos homens cis, nos vêem como menos do que objetos. Nós somos um câncer. Existem páginas e mais páginas no Facebook dedicadas quase única e exclusivamente a expor, humilhar e difamar mulheres trans.

No ano passado, Uma dessas páginas (pela sua segurança, não clique no link) publicou uma imagem que mostra que “está proibido pinto lésbico.” E é claro que as anarquistas aqui vandalizaram a imagem.

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Edit anárquico de uma imagem que era transfóbica.

Até porque pinto não tem sexualidade. Órgão sexuais não tem sexualidade. Quem tem sexualidade são pessoas. E algumas lésbicas TEM pinto SIM. E ninguém tem o direito de arrancar o pinto delas fora, assim como ninguém tem o direito de duvidar da identidade ou da sexualidade dessas mulheres.

O problema da inclusão de mulheres trans no movimento lésbico, entretanto, pode ser um pouco mais complicado do que só TERFs.

Mesmo que você moça trans lésbica, esteja entre feministas lésbicas bacanas que “não vêem nenhum problema em você ser trans”, você sempre será a esquisita.  Ou pelo menos foi assim comigo e algumas outras amigas.

Porque dentro da comunidade lésbica existe a ideia de que “o nosso corpo nos une”. Corpo que consiste de seios, vagina e útero. Algumas pessoas AFAB (designadas mulheres ao nascer) não-binárias se encaixam nesse esquema, que sempre vai excluir mulheres transgêneras.

Imagine um monte de pessoas de vagina e peitos ficando nuas e entrando numa piscina pra se divertir e comemorar o Ano Novo. A maioria delas são mulheres lésbicas, com exceção de um menino trans que não vê necessidade em transicionar hormonalmente e gosta de pegar outras gurias. E aí tem você… Uma garota trans no começo da sua transição.

Numa piscina repleta de seios e vaginas, o seu corpo é o corpo estranho, com ombros largos e um pênis entre as pernas. As pessoas já nuas na piscina te convidam a entrar com simpatia, mas você não se sente nada confortável. Todas aquelas pessoas na piscina se juntam em algum tipo de “sororidade corporal” em que o corpo dessas pessoas se torna o centro das atenções, mesmo que você também esteja lá sem peitos, sem quadril e sem vagina.

Mesmo que você seja uma mulher, você jamais poderá se unir aquela sororidade pois ela não é sobre gênero. É sobre corpos. E esse corpo que estas compartilham claramente não é o seu, e os assuntos dessa sororidade não cabem a você.

O menino trans que curte meninas tem permissão de “ser lésbica” por causa dessa “sororidade corporal”. A garota trans não, por ter um pênis ou simplesmente não ter um útero.

Portanto, mesmo que nós sejamos lésbicas, não seremos realmente bem-vindas entre as lésbicas cis por causa desse discurso romantizado dos corpos iguais unidos em sororidade.

O mesmo que eu disse lá encima sobre homens gays também vale aqui. Pra visão GLS do mundo, a gente não é lésbica. Nunca foi, nem nunca será.

A nossa exclusão dos meios L e G acontece justamente porque acham que pessoas trans não podem ser hétero!

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Okay, você deve estar confuse pra caramba agora. Vou tentar me explicar da melhor maneira possível.

Gênero não é sexualidade.

O fato de T ser colocado ao lado de LGB só exalta a ideia estúpida de que “a pessoa é tão homossexual que ela precisa trocar de sexo”. O fato de que a nossa letra é colocada junto com essas outras letras, ironicamente, só nos segrega dessas outras letras mais ainda. Porque se L, G, B e T são formas diferentes de se expressar a mesma coisa (atração romântica ou sexual por pessoas do mesmo gênero), o B se torna inerentemente “meio homossexual” e o T “super homossexual” enquanto o L e o G seriam “os níveis normais de homossexualidade”.

Faz sentido o B entrar junto com o L e o G. No final das contas, isso são todas as formas diferentes de se amar as outras pessoas. Mas T não tem nava a ver com amar as outras pessoas.

T é sobre SE amar. E essa é uma distinção muito, muito, muito importante.

Ser trans é uma relação SUA com o SEU corpo e o SEU gênero, e não o corpo e o gênero das outras pessoas.

A incompreensão das pessoas de que gente T pode ser hétero, acaba criando essa confusão de que toda pessoa T é L ou G, só que do jeito inverso. E o fato de que T faz parte da sigla LGBT só aumenta ainda mais a confusão!

Ser LGB não é sobre ser T, e ser T não é sobre ser LGB. Colocar essas duas coisas na mesma caixinha só gera mais transfobia, homofobia, bifobia e lesbofobia pra todos os lados, e no final das contas ninguém sai feliz.

Os segmentos L, G e B são referentes a sexualidade e vão de encontro com a heterossexualidade, desde sua compulsoridade até privilégios que pessoas hétero tem na sociedade, certo?

Até certo ponto, certo. Mas muitas vezes as pessoas acabam esquecendo marcar essa heterossexualidade como sendo cisgenera.

É gritante para mim o apagamento de milhares de pessoas trans heterossexuais ao ler a frase ‘não tem espaço pra hétero no meio LGBT’, ‘você não pode se declarar LGBT sendo hétero’, ‘aceite seus privilégios’. (E não estou falado aqui da famosa ‘heterofobia’ pois entendo ela como uma ferramenta, mesmo que falha as vezes, de empoderamento)

Para mim fica muito claro que as pessoas ou esquecem que LGBT não é apenas sobre sexualidades não-hétero ou acreditam que pessoas trans são ‘tão homossexuais que mudaram de sexo’ ou então que elas realmente acreditam que a população T hétero tenha de fato algum privilégio em uma sociedade tão cissexista e transfobica [quanto essa]. Isso é uma forma de exclusão, de marginalização dentro do movimento. Nos coloca novamente em um não lugar. Não pertencemos nem mesmo no LGBT.

Caro amigo cisgenero gay ou bissexual, cara amiga cisgenero lésbica ou bissexual: existem, sim, pessoas heterossexuais no movimento LGBT e elas são tão protagonistas dessa luta quanto vocês. Arrisco-me até a dizer que está na hora de abrirmos o movimento para parceiros e parcerias heterossexuais de pessoas T, pois perante ao estado e à sociedade esse relacionamento ainda é visto como gay ou lésbico.

Thomas Lemos

A primeira coisa a se fazer, é sempre distinguir gênero e sexualidade como duas coisas separadas que PODEM vir a se relacionar.

Depois, temos que nos lembrar que pessoas T podem ser LGB, mas que as duas coisas não estão diretamente relacionadas, e que pessoas T podem ser hétero também.

Depois, temos que lembrar que LGB é sobre se atrair pelo gênero, e não pelo corpo da outra pessoa. Se fosse atração por corpo, e não por gênero, a gente devia chamar essas sexualidades de “pintossexual” e “bucetossexual”. E mil desculpas se eu to ofendendo alguém aqui, mas… Chamar um homem trans hétero de lésbica é imoral e só gera mais segregação e ideias erradas sobre a identidade transgênera. Se você é um homem trans não-binário que é conivente com esse tipo de coisa, por favor, pare.

O próximo passo é unir as pessoas trans o máximo possível. Não ter medo de falar sobre nossa própria sexualidade entre nós, pra depois ganharmos a coragem de nos abrirmos pra pessoas cisgêneras e tomar a nossa parte de direito no movimento LGB. Só que da forma certa.

Eu proponho que a melhor forma de criar visibilidade pras questões e pro movimento trans, é separá-lo do movimento LGB, da mesma forma que o feminismo e o movimento lésbico são coisas diferentes, mas que se intercalam.

Dessa forma, nós podemos focar melhor as nossas lutas, e criar a interseccionalidade somente onde interseccionalidade for realmente necessária.

Mas é claro que eu posso estar errada. Sempre posso estar errada. Talvez vocês conheçam uma forma que justifique a estada do T no LGBT que eu não conheça. Talvez as comunidades L e G não sejam tão ruins assim. E certamente existem pessoas cis L, B e G que são legais, tipo essa moça aqui:

Ou essa:

Mas é difícil. É difícil ser trans e não pertencer a lugar nenhum. É difícil viver com um constante medo de morrer nas mãos das outras pessoas, principalmente aquelas que deveriam estar lutando por igualdade de direitos de todas as pessoas.

A frustração com o movimento LGBT não é só minha. Muitas pessoas trans que eu conheço dividem essa frustração, tipo a yungmedousa que algumas pessoas aqui devem conhecer. Ou o trans boy. Ou mesmo o Thomas e a Bia que eu citei aqui.

Seja como for, a gente continua na luta pra garantir que todas as pessoas possam se amar e amar umas as outras.

Peace.

Um comentário sobre “LGB, sem o T

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