Liberdade Sexual

O texto de verdade só começa no quarto parágrafo. Esse começo é mais uma mensagem pres leitores que me lêem faz tempo:

Eu tirei o mês de Abril de férias. Foram as férias mais conturbadas e perturbadoras da minha vida, e eu ainda não estou recuperada. Mas um mês deve o suficiente pra que eu voltasse a ter coragem de botar minha cara na internet. E agora tomando remédios para estabilizar o meu humor, eu posso aos poucos ir retomando as atividades do blog, da página do facebook, e do tumblr.

O lugar do qual eu mais quis me afastar durante essas férias foi o Facebook. Tem muitas coisas na cultura de Facebook que me incomodam, e de certa forma esse post é sobre uma delas. E depois disso quem sabe eu escreva um post sobre os motivos reais das minhas férias.

Liberdade Sexual

No final das contas, este é mais um daqueles posts que eu escrevo antes para mim mesma, e depois pra vocês que se sentem como eu.

Em um mundo onde a troca de nudes é a norma, onde ter orgulho do próprio corpo é mostrar-lhe nu em todo seu detalhe em público, onde crushes surgem a cada esquina e onde paixões são criadas através de curtidas e comentários, será que está tudo bem não querer fazer parte disso?

Sendo uma jovem trans e lésbica de 22 anos de idade que ainda está se descobrindo e não sabe direito o que quer da vida e vive nos meios de ação social LGBT feminista do Facebook, é meio difícil responder essa pergunta.

Nessa pausa, longe de focos muito grandes de atividade internetal, eu noto que sim. Tá tudo bem não querer fazer parte disso sim. Assim como tá tudo bem fazer parte.

Sexualidade é uma coisa extremamente importante nesses meios sociais. Ninguém tem papas na língua pra expressar desejo sexual. Mesmo quando o desejo sexual não existe, felicidade ou admiração são expressadas como se fossem desejo sexual de tão comum que se tornaram essas expressões de desejo. “me beja”. “vemk”. “meu signo é eu e você juntos”. Estes são “elogios” comuns que você encontra na sessão de comentários de qualquer selfie nos dias de hoje.

O que é tudo ótimo, mas e se não houver consentimento? Ou reciprocidade? E se isso incomodar uma pessoa que tem medo de dizer que se sente incomodada pra não parecer “chata”?

Uma coisa que nós tendemos a esquecer em relação à liberdade sexual é a palavra liberdade. Liberdade envolve escolha e liberdade envolve autonomia. Liberdade de escolher como você vai lidar com a própria sexualidade e de como você quer que sua sexualidade seja respeitada.

A muito tempo atrás, eu queria escrever um texto sobre minhas experiências sexuais enquanto uma mulher trans lésbica tímida e disfórica porque não existem muitos trabalhos internet à fora que tratem da nossa sexualidade. Nós precisamos desse amparo porque transar com um corpo novo, diferente da norma cis, com desejos fora da norma hétero, é uma das coisas mais assustadoras que existe!

Mas eu não escrevi. Por quê? Porque a sexualidade é MINHA. E EU escolho o que fazer com ela. E se eu não quiser falar sobre ela, eu não falo sobre ela. É bem simples quando você pensa no assunto.

Teve uma vez que eu tava tão frustrada com minha sexualidade que eu quis procurar ajuda na internet. Mas eu me senti mega estranha por ter feito isso, mesmo que seja algo completamente normal, e só me senti mais insegura ainda. Eu acho que simplesmente não faz parte de mim ser tão aberta em relação à minha sexualidade.

Eu sou o tipo de pessoa que quer manter minha vida pessoal, pessoal. Minha intimidade íntima. E que o que acontece entre 4 paredes fica entre quatro paredes. Eu adoro falar sobre sexo enquanto conceito, e sexo casual é uma das coisas mais legais que tem, mas minhas experiências são minhas.

Sexualidades muito exacerbadas são uma coisa que me incomoda (vide meu desgosto pelo Iron Bull e total desinteresse pelo Zevran e pela Isabella, todes personagens extremamente sexuais de Dragon Age) e por mais que eu goste de me sentir desejada, eu me sinto mal com “casa comigo”s de Facebook que na verdade querem dizer “você é muito bonita e eu te admiro muito”. Ou quando alguém por quem eu não sinto atração me chama de “gostosa”, diz “me beija” ou variantes.

Eu sou uma romântica incorrigível. “Eu te amo” são palavras que carregam muito peso pra mim. “Crush” não é só qualquer pessoa que eu acho bonita ou atraente. “Casa comigo” são as palavras que eu quero ouvir saindo da boca da pessoa que eu amo depois de anos de um relacionamento saudável. E pra mim sexo é papo de BFF, não de conhecides de um bar qualquer (ou da internet). (E já que a gente tava falando de Dragon Age ali encima, eu sou mais uma Leliana. Não é a toa que ela é minha personagem favorita.)

E existe um problema nisso? Não! Eu sou incorrigível no fato de que não há nada pra ser corrigido. Não há nenhum problema em ser assim. Não há nenhum problema em eu ser eu e você ser você, não importa a forma como possamos nos sentir. E pessoas que são diferentes de mim? Elas também não tem nada pra consertar!

Liberdade sexual é sobre termos o direito de expressar a nossa sexualidade, seja ela qual for, da forma que nós bem entendermos. E respeitar a forma como outras pessoas querem lidar com a sexualidade delas. Isso inclui quem quer manter suas experiências e desejos sexuais em privado.

Eu ouvi algumas pessoas Ace dizerem que se sentem intimidadas pela comunidade LGBT por essa “promiscuidade” ser compulsória entre os seus membros, ou por ela ser algum tipo de norma implícita.

A única coisa que nós precisamos lembrar em relação a qualquer coisa que envolva algum tipo de intimidade é o consentimento. Se alguém está fazendo alguma coisa com a sua intimidade sem o seu consentimento: quer seja uma “inofensiva” expressão de desejo sexual ou querer falar sobre sexo quando você não tá afim de entrar no assunto, FALE. E se a pessoa te achar “chata” ou “muito conservadora” por causa disso, é bom tentar encontrar outras companhias que entendam melhor o que significa liberdade sexual.

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