#GiveElsaAGirlfriend e porquê Frozen é meu filme favorito

Dia 12 de março desse ano foi confirmado que um Frozen 2 será produzido, mas ele não será lançado até 2018. Jennifer Lee e Chris Buck vão voltar pra dirigir o filme  e a Idina Meznel e Kristen Bell voltarão como Elsa e Anna.

E tudo isso é maravilhoso e coisa e tal, mas o que todomundo quer saber é: A Elsa vai vai ganhar uma namorada?!

Pequenos spoilers de Frozen, Mulan e Star Wars Episódio VII à seguir.

Frozen é o MELHOR MUSICAL DA FACE DA TERRA! Eu não to nem aí pra o que os “especialistas” ou os “críticos” dizem. Nenhum musical, nunca, jamais, me fez sentir tantas emoções tão fortes quanto Frozen.

Nenhum Fantasma da Ópera, nenhum Les Miserábles, nenhum desses “musicais de adulto” algum dia chegou ou vai chegar tão perto do meu coração quanto Frozen chegou.

Eu me vejo na Elsa de uma forma que eu não consigo me ver e mais personagem nenhuma, nem mesmo na Dark Sun Gwyndolin. E eu vou entrar em mais detalhes sobre isso depois, mas imaginem só minha imaginação quando eu soube que a Alexis Isabel, autora do Feminist Culture, lançou uma campanha pedindo pra Disney tornar a Elsa uma completamente realizada LÉSBICA.

Esse é o sonho de uma Felicia! Não só de ver duas personagens femininas de desenho animado se beijando numa sala de cinema cheia de crianças, mas de uma dessas personagens ser a porra da minha personagem favorita, e com a qual eu mais me identifico, na história do cinema.

Nesse dia 1º de Maio a Alexis criou a #GiveElsaAGirlfriend, que pra quem não é versado nos inglês, significa #DêemUmaNamoradaPraElsa e me deu vontade de começar a usar meu twitter só pra spammar essa hashtag pra todas as pessoas que eu puder o TEMPO TODO, de tanto que eu quero uma Elsa lésbica nessa vida.

Agora, vamos lá. Se você ainda não notou, Frozen é meu filme favorito (tá no título). Só porque ele é meu filme favorito não quer dizer que é o melhor filme do mundo: O vilão é um buraco imenso na trama, o Olaf é extremamente desnecessauro, etc. etc. Mas o filme não precisa ser perfeito pra falar com você em um nível mais profundo. E foi isso que Frozen fez comigo e com uma grande parcela da população LGBT.

Já existem milhares de artigos internet a fora explicando como Let It Go (Livre Estou na versão brasileira) na verdade se trata de uma letra de empoderamento, de sair do armário, de uma pessoa se tornando dona da sua própria identidade. Ela se tornou um hino LGBT por se tratar de coisas que TODES nós tivemos que lidar nas nossas vidas (sim, eu to generalizando). E mesmo quem não gosta da música por causa da versão da Demi Lovato que infectou rádios, a televisão e a internet por muito mais tempo do que deveria, não pode negar as mensagens fortes e positivas que essa música passa.

Mas eu tenho que parar de falar pelas outras pessoas e começar a falar por mim (e se você não liga pros meus sentimentos em relação ao filme, pode pular o texto pra depois do segundo vídeo):

Frozen é o filme que me fez ter coragem de vestir uma saia pela primeira vez.

Como eu disse antes, eu me identifico muito com a Elsa. Tanto com a personagem em si quanto com a história dela.

Eu nunca perdi meus pais, mas eles sempre ficaram longe de mim. Eu era muito próxima do meu irmão, mas o passar dos anos foi encorajando meu isolamento dele e de todo o resto do mundo. Eu tinha medo de quem eu era (por não entender quem eu era) e tinha medo dos julgamentos que aconteceriam por quem descobrisse esse monstro que eu sempre acreditei ser, por não ser hétero (nem cis).

Quando eu saí do armário pela primeira vez, eu usei minha “homossexualidade” como uma desculpa pra manter as pessoas longe de mim. Eu literalmente dizia pras pessoas da escola se afastarem de mim porque não iam querer ser vistas com “o nerd estranho” (porque por mais que eu fosse “gay” eu não era aquilo que as outras crianças consideravam como “viado” ou “bichinha” #ConfissõesDeUmaSapaTrans)

Eu encontrava libertação no meu isolamento e prazer na minha tristeza. E até hoje eu trato qualquer pessoa que queira perturbar esse isolamento com violência.

Toda cena em que a Elsa aparece é uma onda de emoções pra mim. Esse filme me dá esperança de um futuro melhor – comigo mesma, com minha família, meus irmãos, minha mãe.

Que um dia eu terei maturidade pra reinar minha vida sem medo nem drama.

Agora, a Disney tem inspirado sonhos de amor romântico pra meninas heterossexuais/românticas durante décadas. E por mais que eu ame A Bela e A Fera tanto quanto qualquer garota, o sonho de ficar com homens grandes e peludos não cola pra mim. Se a Disney decidisse incluir garotas homossexuais/românticas no seu público alvo pra histórias de amor, deixaria essas garotas ainda mais felizes, e traria uma mudança de paradigma tão forte quanto a que foi iniciada por A Princesa E O Sapo. Incluir uma protagonista LGBT é o próximo passo mais lógico para os filmes da Disney. E a Elsa, por incrível que pareça, é o caminho mais seguro pra dar esse passo.

O que ganharíamos por ter um romance lésbico em um filme da Disney?

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A representatividade é a parte mais óbvia, mas a gente tá falando da Disney. Quando a Disney faz alguma coisa não é simplesmente representatividade. É A representatividade mais forte que você poderia ter.

A Disney faz sucesso no mundo todo, com todas as faixas etárias. A Disney é dona de quase todo o entretenimento familiar ocidental, e Frozen é uma das suas maiores máquinas de fazer dinheiro, provavelmente só perdendo pra Star Wars e talvez pra Pixar e pra Marvel. Então quando a Disney faz alguma coisa, não é pouca bosta não. Todos louvem a Disney e o supremo Líder Snoke!

Quando a Elsa beijar outra garota, as pessoas vão VER isso acontecer. Porque é a Disney. Porque é Frozen. E o mais importante: É um filme pra crianças. O dia que a Disney colocar em um dos seus filmes de criança duas pessoas do mesmo gênero tendo um relacionamento romântico, vai ser o último prego no caixão da homofobia na cultura pop, e as famílias das crianças que já amam esses desenhos terão que aceitar que ser homossexual É NORMAL. Um filme da Disney é IMPOSSÍVEL de ser ignorado, e quem quiser ficar contra a Disney, o maior monstro da industria do entretenimento, estará escrevendo seu próprio atestado de óbito.

Mas existe outro ponto pelo qual isso seria bom. Eu não posso falar pelos gays, mas relacionamentos lésbicos saudáveis são fundamentalmente diferentes de relacionamentos homossexuais por causa de uma coisinha chamada sororidade. E por mais que eu não me considere feminista per se, essa parada de sororidade quase sempre acaba rolando quando duas minas estão se pegando.

A vida não é um desenho de yuri heteronormativo, e quando duas mulheres adultas e independentes se amam, elas são MULHERES, e irmãs. Não existem papéis de gênero para serem cumpridos em um relacionamento lésbico. Uma garota não precisa ser a mãe preocupada, e a outra não precisa ser o protetor e provedor. Uma garota não precisa ser a menina boba e inocente e a outra a “príncipe encantado”. Elas são mulheres com pensamentos e sentimentos independentes e que estão livres para fazer o que quiserem da sua vida. E o seu relacionamento é completamente interdependente e baseado no respeito à capacidade de decisão de qualquer uma das duas. Idealmente, em um relacionamento como este, uma mulher sempre perceberia a outra como igual.

Esse é o tipo de relacionamento que a gente ainda não viu em algum filme da Disney. Talvez algo parecido tenha acontecido em Mulan, mas em Mulan 2 os papéis de gênero já estavam sendo gritados aos quatro ventos de novo. Então eu acredito que esse seja um tipo de relacionamento saudável que vale a pena ser mostrado e não será nocivo pra quem for assisti-lo, ao contrário da maioria dos relacionamentos amorosos da Disney (estamos de olho nessas romantizações de relacionamentos abusivos).

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E porque Frozen 2 é o lugar ideal pra fazer isso? Vamos por partes.

Os artistas da Disney, as pessoas responsáveis pelas obras de arte que nós vemos o estúdio lançar sem pausa pelos últimos anos, já tem tentado amaciar a ideia de personagens LGBT nas cabeças dos seus chefes. Frozen foi o ápice dessa ideia, usando poderes mágicos como alegoria pra sexualidade e gênero fora das normas. E mais recentemente John Boyega e Oscar Isaac declararam que foram realmente instruídos a interpretar uma tensão sexual entre Finn e Poe em Star Wars Episódio VII, que só quem tava de olhos fechados o filme todo não percebeu.

Está sendo sugerido que no Episódio VIII de Star Wars, realmente hajam personagens gays demonstrando sua homossexualidade em tela de forma que ninguém fique em dúvida. E esse filme será lançado em novembro ou dezembro de 2017 – um ano antes do provável lançamento de Frozen 2.

Star Wars é a franquia que mais faz sentido ter personagens homossexuais agora. O público é, em maioria, adulto. As crianças vão assistir, mas pessoas homofóbicas não vão poder argumentar que o filme está corrompendo as crianças porque elas não são o público alvo.

Isso permitirá os figurões da Disney ver como o publico reage a homossexualidade, afinal não importa o quanto backlash tenha um filme: Star Wars SEMPRE vai vender, e é uma das franquias mais seguras e lucrativas da história da humanidade.

Tendo uma boa reação, eles provavelmente permitiram o assunto em uma das suas franquias mais internas. Tirando a possibilidade de criar uma franquia nova, Frozen seria a melhor forma de fazer isso.

EDIT: E isso aparentemente acabou de acontecer na quinta temporada de Once Upon a Time. Não clique se não quiser spoilers, mas é um spoiler bonito. O spoiler mais bonito que eu já vi na minha vida.

Frozen é novo e fez sucesso com o público. Um sucesso tão grande, na realidade, que nem a Elsa nem a Anna fazem parte da marca Princesas Disney. Elas não PRECISAM do auxílio dessa marca. Elas fazem dinheiro suficiente por si mesmas. Até financeiramente esse é o filme mais independente da Disney! A Disney não precisaria sacrificar a segurança de uma das suas marcas mais antigas para experimentar coisas diferentes com Frozen 2.

Frozen já fez o dinheiro que tinha que fazer, e a partir de agora tudo que viver dessa franquia é lucro. Sequências de filmes da Disney já tem baixíssimas expectativas, dando ainda mais liberdade de experimentação, já que a imprensa estará focada nas animações originais e outros filmes. E o valor de choque de termos uma Elsa lésbica seria só publicidade de graça. E na pior das hipóteses ficaria marcado para sempre como “o filme da Disney que tinha uma lésbica” e diminuir um pouco as vendas de merchandising, mas aumentar muito a popularidade do produto em meios LGBT e com pais e mães que sabem criar sues filhes direito. Se essa é a pior hipótese, eu diria que a situação ta favorável pra caralho.

Krissanna

Frozen já tem o casal heterossexual mais fofo da história da Disney. Frozen 2 podia dar algo pras lésbicas também.

Mas a probabilidade de que vamos ver uma Elsa lésbica no próximo filme ainda é baixa, e é melhor a gente não ficar tendo esperanças demais pra caso não aconteça a gente não fique com raiva desnecessária.

Mas termos uma Elsa lésbica seria maravilhoso, faria sentido, e deixaria muita gente feliz! A Felicia inclusa.

PS: Eu fiquei tanto tempo procurando imagens pra ilustrar a lesbianidade da Elsa que comecei a shipar Elsanna. Nada mais nessa vida faz sentido </3

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[Quadro 1]

Na montanha norte, Anna finalmente alcança o palácio de sua irmã.

[Quadro 2]

… E ela entra sozinha para conversar com ela.

Anna: Elsa? Sou eu, Anna.

[Quadro 3]

Anna: Elsa, você parece diferente… É um diferente bom!

Elsa: Sim, Anna. Eu acabei de me colorir. (o trocadilho no quadrinho indica que ela tava se masturbando ou sendo chupada por alguém).

[Quadro 4]

Anna: Me desculpa te revelar desse jeito. Se eu soubesse…

Elsa: Não precisa se desculpar…

[Quadro 5]

Elsa: Você deve ir. você pertence a Arendelle.

Anna: Você também!

[Quadro 6]

Elsa: Não. Eu pertenso a este lugar, onde eu posso ser lésbica sem medo.

Olaf: Oi! Eu sou o Olaf, e ser lésbica é maneiro!

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