Diário Aelatório no Dia do Orgulho

#NoFilter é uma campanha da organização do Orgulho LGBT em Londres sobre ser você mesme, sem filtros. E eu achei que tinha tudo a ver com o post de hoje.

Por enquanto esse texto não tem título (vai ter quando ele for publicado, mas sei lá qual vai ser, eu to improvisando aqui). E… Nossa. Eu to feliz nessa noite de aniversário de Stonewall porque eu sinto que uma parede de pedra acabou de ser derrubada (ha! Tendeu?). E eu me sinto mais lésbica agora do que eu me senti durante a maior parte da minha transição.

É. Acho que o post vai ser sobre isso. Minha identidade lésbica. Sabe porque? Porque eu sou trans, mas eu também sou sapata! E vai tomar no cu, que sapata gostosa eu sou! Continuar lendo

Trans In Games – Hyrule Warriors: Legends – Linkle

Essa elfa é uma humana!

E pior que é mesmo. Não existem elfas na lore de The Legend of Zelda. Assim como aparentemente não existe lugar pra uma Link mulher; e mulheres heroínas só no jogo spin-off da Omega-Force que não é nem considerado canon.

Sexismo vindo da Nintendo não é novidade pra ninguém. É um monte de senhores de 50+ anos fazendo jogos pra crianças e adolescentes japoneses de acordo com as suas próprias visões de mundo antiquadas e machistas. Um ex empregado da Nintendo contou para o Kotaku (infelizmente não consegui achar a fonte; quem conseguir, me manda) um relato bem detalhado falando sobre inovação é impossível na empresa que funciona mais como um feudo japonês da era Sengoku do que uma desenvolvedora de videogames.

E quando os primeiros trailers do, agora conhecido como Breath of The Wilds saíram, todomundo estava super animade pra ver uma link menina num jogo principal da série. E o lançamento da Linkle em Hyrule Warriors só deixou a gente ainda mais animade!

Mas aí a E3 aconteceu e toda possibilidade de um dia podermos ver Link como menina caiu por terra… Ou será que caiu mesmo? Continuar lendo

Poema – Introvertida

Arte por げみコミティアす59b

Então. Eu to fazendo o cursinho pré-vestibular Tô Passada, criado pelo Transgrupo Marcela Prado e a gente anda tendo umas aulas de literatura; que sempre foram as minhas aulas favoritas no ensino médio. E pra quem não sabe, eu sou uma poeta amadora, então eu tenho muito gosto por brincar com palavras, e essas aulas tem me deixado animada de uma maneira que eu não ficava a muito tempo.

Aí a minha professora, Julia Raiz, autora do blog Totem & Pagu me disse que poetas tem uma obrigação moral de mostrar sua poesia pro público, porque “o poeta sabe que não é ele. São as outras pessoas.”

Isso tem ficado na minha cabeça à dias e agora eu to tipo… Quer saber? foda-se. Vou colocar poesia no FGD sim! Mas eu conheço meu público, e eu não quero alienar vocês com meus devaneios românticos sobre amor e existência. Então vou me limitar às minhas obras mais nerdinhas e transgêneras. E eu vou começar com meu poema mais fofo até agora: Introvertida.

Já aviso que ele é mega contemporâneo/modernista/sem forma nem ritmo nem rima. Esse é o tipo de coisa que eu sei escrever. Desculpa aí pra quem tava esperando algo mais bunitinho. Continuar lendo

Terrorismo Doméstico e Sofrimento Empático

TW: Todos. Esse post é horrível.

As meninas das fotos são Keyla França e Leelah Alcorn, ambas mulheres trans vítimas de suicídio. A foto da esquerda foi tirada no desastre de Orlando.

Primeiramente: Pra quem acha que isso é mimimi GGGG branco: Vai se foder. A hostess do evento era uma mulher transgênera porto-riquenha negra e teve outras mulheres, trans e cis, entre as vítimas feridas, mortas e aterrorizadas; e a grande maioria das pessoas na boate eram latinas. E mesmo que as vítimas fossem todas homens gays cis, o que tornaria a situação menos trágica?

No dia 12 de junho de 2016, um cara aparentemente gay que não queria sair do armário estava tão frustrado com a própria sexualidade que decidiu entrar numa das principais boates LGBT de Orlando nos EUA, com um rifle AR-15, pra provar que era macho. Este mentecapto fruto de uma cultura homofóbica matou 49 pessoas e feriu gravemente outras 53. Este imbecil foi morto pela polícia antes que pudesse matar mais alguém.

No dia 27 de maio, 33 homens coletivamente estupraram uma garota de 16 anos no Rio de Janeiro. Muitas outras garotas vítimas de abuso sexual cometeram suicídio quando viram a população brasileira negar o acontecimento diante de provas irrefutáveis. Ninguém ouviria essas garotas e a morte se provou mais atraente do que a luta pela verdade.

E misturando as duas tragédias? Bom, sites de notícia paranaenses cobrem as suas necessidades: No dia 14 de abril, 4 moleques de 15 a 17 anos estupraram e mataram uma jovem travesti de 14 aninhos de idade no interior do Paraná. Eles esconderam o corpo da criança que só foi encontrado uma semana depois. E a morte dessa menina é apenas uma nas mais de 85 mortes de pessoas trans e travestis no brasil que aconteceram SÓ NESSE ANO que não chegou nem na metade ainda. Isso sem contar os suicídios.

E eu chorei com cada uma dessas violências… Continuar lendo