Trans In Games – Hyrule Warriors: Legends – Linkle

Essa elfa é uma humana!

E pior que é mesmo. Não existem elfas na lore de The Legend of Zelda. Assim como aparentemente não existe lugar pra uma Link mulher; e mulheres heroínas só no jogo spin-off da Omega-Force que não é nem considerado canon.

Sexismo vindo da Nintendo não é novidade pra ninguém. É um monte de senhores de 50+ anos fazendo jogos pra crianças e adolescentes japoneses de acordo com as suas próprias visões de mundo antiquadas e machistas. Um ex empregado da Nintendo contou para o Kotaku (infelizmente não consegui achar a fonte; quem conseguir, me manda) um relato bem detalhado falando sobre inovação é impossível na empresa que funciona mais como um feudo japonês da era Sengoku do que uma desenvolvedora de videogames.

E quando os primeiros trailers do, agora conhecido como Breath of The Wilds saíram, todomundo estava super animade pra ver uma link menina num jogo principal da série. E o lançamento da Linkle em Hyrule Warriors só deixou a gente ainda mais animade!

Mas aí a E3 aconteceu e toda possibilidade de um dia podermos ver Link como menina caiu por terra… Ou será que caiu mesmo?

Antes de continuar, leia isso. Eu não quero gente cishet chata aqui dizendo “isso não é canon, mimimi”. Vai tomar no cu. O blog é meu e eu faço o que eu quero.

E outro aviso: O único Legend of Zelda que eu joguei foi o Minish Cap, e eu só terminei 2 dungeons. Então isso aqui não é baseado em minha experiência própria com o jogo, e sim pesquisa. Interprete isso da maneira que quiser.

Leu o artigo? Okay.

Linkle

Linkle_(Hyrule_Warriors)É uma garota hyliana que vivia em um pequeno vilarejo, criando galinhas – quer dizer! Cuccos. Criando cuccos. E ela passou sua vida acreditando que estava destinada a ser a Heroína Lendária graças às histórias da sua vó, e à sua bússola Hyliana que ela acreditava ser mágica.

Quando ela ficou sabendo da tomada do castelo de Hyrule, ela viu nisso sua oportunidade para unir o seu exército de cuccos (é um jogo da série Musou, todomundo precisa ter algum tipo de exército, e o exército dela é um bando de galinhas) e cumprir seu destino como Heroína Lendária!

Ela dá uns tropeços na sua jornada, e é claro que ninguém acredita que ela seja a Heroína Lendária. Afinal o Link tá lá, de verde e tudo. Mas ela não tá nem aí. E até o final do jogo ela jura de pé junto que ela SABE que ELA é a heroína lendária!

E, sem querer, isso transforma a Linkle num símbolo de luta pra todas as mulheres trans que viram Link sem camisa nessa E3. Junto com todos os comentários misóginos dos executivos da Nintendo sobre o porque The Legend of Zelda PRECISA ter um protagonista masculino.

Nojo define, mas também há perseverança.

48e

Esse é um print do que foi mostrado pela Nintendo na E3 desse ano. Os primeiros 20 ou 30 minutos de The Legend of Zelda: Breath of The Wilds. Quando o Link sem camisa apareceu, metade do Tumblr suspirou pelo Link ser gostoso; A outra metade suspirou de decepção pelo Link homem AINDA ser o protagonista.

Como vocês devem saber pelo post que vocês já deveriam ter lido, quando a Nintendo anunciou que haveria uma link mulher no seu próximo jogo a galera PIROU. O Link, que durante todos esses anos foi um menino, agora seria uma menina! A Nintendo acidentalmente acabou anunciando uma transição de gênero para o nosso Herói do Tempo. Que agora seria uma Heroína.

Quando a gente considera a Morte do Autor como realidade, por um tempo, Link realmente transicionou. A detentora da triforce do poder realmente se tornou uma mulher. Mulher esta que outrora foi vista como homem. Trans! As fanarts, fanfics e fangames tiveram certeza de que a transição seria completa.

E aí a Nintendo revelou quem seria a Link menina: Linkle. Mas há um porém. A Linkle seria a irmã do Link que, segundo a Nintendo, continua sendo e sempre foi um homem cis hétero. A história mudou pouco tempo depois disso ser anunciado, e a história real dela dentro do jogo é bem mais interessande do que só “irmã do link”. Mas de qualquer maneira, isso impediria a gente de considerar Linkle como trans? Pfffffff~

A Linkle virou um símbolo pra mulheres trans gamers ao redor do mundo afim de desafiar a Nintendo e a cisnormatividade dos seus jogos. Pra mim e pra milhares de outres gamers ao redor do mundo, a Linkle tem pau, e ninguém vai tirar o pau dela.

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Arte por Lyiart

É claro que o desejo de ver uma mulher estrelando The Legend of Zelda não morreu. Afinal de contas a lenda é da Zelda, não do Link. E gente trans adora procurar representatividade onde ela não existe. A gente é punk mesmo. Fodam-se todos vocês.

Quando saíram os primeiros trailer de Breath of The Wilds ano passado, a galera pirou no que parecia ser um Link bem mais afeminado do que o normal (e o Link já não é o exemplo mais ortodoxo de masculinidade). E as mídias sociais onde pessoas trans se encontram foram recheadas com comentários como “É… Link total é uma guria trans agora. É canon. Yep.”

Nessa E3 de 2016, a Nintendo confirmou que não. O novo link é continua sendo um moleque cis. Segundo o ilustríssimo Eiji Aonuma:

A nossa equipe realmente discutiu sobre o que seria possível se tomássemos esta rota [ter uma protagonista feminina em um jogo de Zelda].

Nós pensamos sobre isso e decidimos que se é pra ter uma protagonista feminina seria mais simples termos a Princesa Zelda como a protagonista.

Se tivermos a Princesa Zelda como uma protagonista que luta, então o Link ia fazer o quê? Pensando nisso e no equilíbrio da Triforce, nós decidimos que seria melhor voltar para a configuração original.

Eu nunca vi um homem japonês falar tanta merda em um espaço tão curto de tempo. Um jogo de Zelda com uma Zelda como protagonista seria demais! E é sério que esse machista de merda tá dizendo que só homens podem carregar a Triforce da coragem? O Jim Sterling fez um monte de argumentos sobre como The Legend of Zelda poderia incluir uma protagonista feminina sem ter que tirar a preciosa cisnormatividade da Nintendo, e os pontos dele são geniais. Mas eu to aqui pra mostrar ideias trans.

É claro que a gente não vai deixar isso passar quieto. A comunidade trans é barulhenta, e, de novo, a Linkle aqui representa a nossa luta contra a cisnormatividade, não só da Nintendo, mas de toda a industria de videogames.

A Linkle não tem a Triforce da Coragem. Ela não tem a Master Sword. Ela não tem a Epona. Mas sabe o que ela tem? Um sonho e um bando de galinhas pra seguir esse sonho! O jogo no qual ela aparece, Hyrule Warrios: Legends, deixa bem claro que ela não é a Heroína Lendária e que esse é o papel do Link machinho. Mas ela liga? HA! SUA CISNORMATIVIDADE BATE NA MINHA BÚSSOLA MÁGICA E VOLTA, MEU BEM!

Ela não arreda o pé da heroicidade dela não importa o quanto as pessoas à digam o contrário!  Não importa o quanto o universo diga que ela tá errada ela sabe quem ela é. Uma mulher e uma Heroína Lendária.

Há um metacomentário aqui. Nós – a Linkle e a comunidade trans gamer – somos les rebeldes que não tão nem aí pra quem a Nintendo diz quem pode e não pode ser o herói da história. Linkle é a nossa heroína. Nós somos nosses própries heroínes. E nós desafiamos o Status Quo.

E essa narrativa é muito trans. O mundo não quer que a gente reconheça o nosso gênero. Ela não pode ser a heroína por ser uma mulher; e a gente não pode ser mulher por ter pênis ou homem por ter vagina.

Ser trans é tomar conta do próprio destino e ter certeza de quem você é, mesmo quando o mundo todo está contra você e querendo te definir sem sua permissão. Eu SOU mulher. A Linkle É uma heroína. Nós SOMOS trans. E se a Linkle também não for, eu sinceramente não sei o que ela é.

Cuidado com as galinhas que elas bicam.

PS: Feliz solstício de Inverno pra quem celebra essas coisa e tal :3

2 comentários sobre “Trans In Games – Hyrule Warriors: Legends – Linkle

  1. Alaúde disse:

    “O único Legend of Zelda que eu joguei foi o Minish Cap, e eu só terminei 2 dungeons.”

    Puta que pariu, nunca jogou porra nenhuma e agora quer dar pitaco? Seu negócio deve ser é jogo da velha

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    • feliciaguerreiro disse:

      Pior que é mesmo. Jogo da velha é fascinante. Você conhece o conceito de escalação? Ele consiste do fato de que sua mecânica deve funcionar com qualquer número de elementos, e que números maiores só criam uma ilusão de complexidade.

      Mas é claro que você não conhece. não tem paciência pra ver uma menina trans falando do teu joguinho favorito, quem dirá ter paciência pra aprender game design de verdade.

      Me poupe, machinho.

      Curtido por 1 pessoa

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