Diário Grosseiro

Arte por Xiwik

Hoje é dia 7 de novembro, e eu devia escrever sobre o N7 Day, mas vou é fazer um diário porque o blog é meu e eu escrevo o que eu quero. Mwahahahaha.

As últimas semanas da minha vida tem sido uma bagunça de estudos, insegurança, sexo, depressão, crises de baixa auto-estima, desesperança, desafio pessoal, dor nas pernas, postura e esforço criativo.

Eu to morta. Eu quero deitar no chão e chorar, mas eu não tenho escolha, tenho? Ou eu trabalho com isso tudo até desmaiar, com uma pequena chance de vencer minha doença; ou eu morro.

Um aviso pra pessoas com menos de 14 anos e gente que se incomoda com essas coisas: Tem desenho de gente pelada no artigo.

Quando você se odeia tanto, de uma forma tão profunda como a qual eu costumo me odiar nessa época do ano, sua vida toda fica comprometida. E mesmo o amor pode ser exaustivo.

Mais do que um “amor pra vida toda” desistiu da minha companhia por eu não conseguir segurar meu próprio ódio de mim mesma.

Quando você duvida de você mesma, é difícil para que as pessoas confiem em você. A internet fala coisas bonitas como “não fique com alguém que faz você se sentir que é difícil de ser amade”, mas a verdade? É difícil amar pessoas neuro-atípicas. Doenças mentais não são só caracterizadas pelo mal que a pessoa faz contra si mesma, mas também contra as pessoas ao seu redor. Eu vou machucas as pessoas perto de mim, não por ódio a elas, mas por não acreditar que eu mereça felicidade. Eu já falei sobre isso aqui. E as pessoas que se afastam das nossas vidas não tem culpa, assim como nós não temos. São só circunstâncias bem bostas que essas doenças trazem pra quem quer que chegue perto.

Amor não reverte atipicidade mental. E por mais que eu odeie admitir isso, e que eu odeie contar isso pra quem estiver passando por isso, nós geralmente somos as únicas responsáveis pelas nossas felicidades. Ninguém pode fazer a terapia pela gente. Ninguém pode tomar nossos remédios pela gente. Ninguém pode roubar nosso sofrimento pra que a gente simplesmente pare de sofrer.

E às vezes a gente não tem escolha se não aceitar isso.

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Arte por Tessa Black

Quando a gente sente que não merece a felicidade em um relacionamento amoroso, ciúmes costuma ser o sintoma mais recorrente.

A outra pessoa pode ser feliz sem você. Está claro na forma como ela se diverte com os amigos, como ela beija outras pessoas com um interesse que parece ter sumido entre vocês naquele momento. A outra pessoa tem uma felicidade que você jamais terá. Você está no caminho. Você é uma pedra. Um peso morto digno de pena.

Na maioria das situações, isso é uma mentira muito popular que contamos para nós mesmas afim de destruir nossa própria auto-estima. Ela pode ser feliz sem você, sim. Mas isso não significa que ela não seja feliz COM você. Vocês se escolheram. Se tá ruim e não é culpa de ninguém, o que tá ruim é a forma como vemos nós mesmes.

Já tem muitos anos que, conscientemente, eu sei que a verdadeira felicidade amorosa só pode ser alcançada no momento em que as duas pessoas são capazes de ser felizes por si mesmas. Mas e pra convencer o kokoro?

Eu só me toco de fazer mudanças na minha vida depois de uma merda muito grande. E quando notei que ia destruir o melhor relacionamento da minha vida até agora por ME considerar patética, decidi que ia encher a minha depressão tanto de porrada que alguma hora ela ia ter que calar a boca.

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Arte por Tessa Black

Minha primeira decisão foi trabalhar no meu corpo.

Um dos grandes motivos de eu, e várias outras pessoas se acharem indignas de felicidade, são os seus corpos. É bonito pra caralho quando a internet chega e diz “o seu corpo é lindo”, mas no momento que você fica pelada, o sentimento predominante é de desprezo. Isso não funciona, né, amizade?

Se você odeia o seu corpo, NENHUMA quantidade de textos e imagens motivacionais de “desconstrução de padrões de beleza” vai ajudar. O padrão de beleza tá aí cara. Você não pode desconstruir uma coisa sem construir outra encima. A pessoa tem que viver de um modo que vá deixar ela feliz. E eu não vou ser feliz com o meu corpo, não importa quantas mensagens motivacionais sejam jogadas na minha cara.

Se essas merdas de “auto-aceitação” não funcionam pra você, bem-vinde ao barco. Se fosse pra gente só aceitar a condição atual dos nossos corpos, não tinha tanta gente lendo esse blog enfiando hormônios goela abaixo.

Se eu quero parecer uma menininha magrela com cara de personagem passivo de doujinshi “trap”, eu vou parecer uma menininha magrela com cara de personagem passivo de doujinshi “trap”. E ninguém tem nada a ver com isso. Bem como eu não tenho nada a ver com gurias gordas que sentem orgulho de ser assim. Acho lindo, inclusive. Mas eu quero ser magra, e eu não deveria me sentir culpada por isso.

E sabe quem vai me deixar assim? Eu. Ninguém pode queimar minhas calorias por mim.

Vivendo com depressão, eu não tenho energia mental pra fazer isso. Mas sinceramente, eu já me sinto tão bosta todo dia. Que diferença faz, sinceramente, eu me sentir bosta por causa dos exercícios? O que é um peido pra quem tá cagado?

Eu decidi socar minha depressão na cara nem que a minha cara entre no caminho.

E isso pode soar patético, mas mesmo que eu me exercite chorando, eu me exercito. Eu preciso disso porque eu NÃO TENHO ESCOLHA. Deixar o meu corpo do jeito que tá só vai piorar a minha psiquê a longo prazo. E quanto mais eu me odeio, mais cansadas as pessoas perto de mim ficam de ter que lidar comigo. Isso não pode acontecer agora que eu realmente tenho vontade de estar onde estou em relação aos outros.

Que me traz a outro desafio.

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Arte por Tessa Black

Eu sou a pessoa mais escorpiana que você já viu na sua vida. Eu sou vingativa, obcecada com a morte, calada, observadora, e se eu tiver afim, meu jogo de cintura pra ficar com alguém é do caralho. Mas até eu conhecer a minha namorada atual, eu imaginei que eu não gostava de sexo, e que a ciproterona havia destruído toda a minha libido.

Eu estava errada. Eu simplesmente me tornei mais exigente. Mas todo esse tempo faltando crença na minha sexualidade, eu acabei me tornando insegura sobre a mesma. Como pode haver atração sexual sem o prazer da atividade? Combinemos isso com o medo de sair com garotas cis e ser julgada pela minha genitália, com o nojo que sinto do meu próprio corpo, e com a falta de conhecimento que tenho do meu próprio corpo, e nos encontraremos com uma receita perfeita para destruir o ego de uma escorpiana toda vez que o assunto de sexo fosse trazido.

Eu precisei me desafiar.

Me consegui uma camisa nova, uma gravata, alguns acessórios, passei uma maquiagem, peguei o ônibus mais próximo, e me permiti ter prazer com a garota que eu amo. Ainda existem muitas barreiras internas em mim pra que eu consiga expressar plenamente minha sexualidade. Mas agora que a descobri, como posso eu jogar ela fora?

Eu não tenho escolha se não encarar minha sexualidade. Eu tenho medo. Eu tenho inveja. Eu tenho ciúmes. Mas sabe o que eu não tenho? Escolha. Ou eu faço isso, ou passo o resto da minha vidinha miserável como uma escorpiana frustrada com medo de transar, e perco o melhor relacionamento amoroso e sexual que já tive na minha vida.

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Arte por Tessa Black

Um “erro” – que me dói muito no coração chamar de erro, mas é o que tá parecendo nesses últimos anos. – bastante comum que se repetiu em todos os relacionamentos da minha vida, é quando você baseia a sua vida completa e solenemente na outra pessoa. Como eu disse acima, isso não é bom. Pelo menos não pra um relacionamento amoroso de menos de 3 anos. Quem dirá só alguns meses, que é o tempo que eu normalmente preciso para decidir que vou ficar com a pessoa pro resto da minha vida.

Eu preciso da minha própria vida. Mas estou num conflito: Eu não quero ter a minha própria vida. Eu quero uma vida compartilhada com outra pessoa, pra sempre. Mas aparentemente esse é o tipo de coisa que só acontece nos contos de fada, não é? Para eu, de facto, ter uma vida com outra pessoa, eu preciso da minha própria. 1*1=1, 1*0=0.

Eu fiz o vestibular da Federal e fracassei de forma miserável, mas fiz. Eu fiz o ENEM, e não sei minha nota, mas fiz. E se eu sou incapaz de viver por mim, posso pelo menos tentar viver pela minha arte: jogos. Nem que isso me mate.

Encontre algo que você ame e deixe isso te matar.

– Charles Bukowski

O que eu gostaria de fazer no segundo dia da prova do ENEM, sinceramente, era me encolher na minha cama e chorar. Mas eu fui, e fiz a prova, chorando mesmo. Inclusive tive um ataque de pânico no meio da prova e fui obrigada a terminar a minha redação correndo.

Por quê? Porque nessa altura do campeonato, eu não tenho escolha.

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Falando em viver e morrer pela minha arte, eu estou a mais e 6 horas na frente do computador só escrevendo. Eu decidi participar do desafio das 50000 palavras do NaNoWriMo, e usei os seis primeiros dias de novembro para estruturar e planejar uma história, que será complementar do meu primeiro jogo de mesa a ser publicado. Mais sobre esse jogo num futuro bem próximo.

Estou intercalando meus esforços entre livro, blog, jogo e exercícios, e por mais que eu esteja cansada e chorando, eu sito que vou conseguir.

E só pra deixar BEEEM claro. Eu não to fazendo isso por pura força de vontade. Se não fossem os remédios e anos de terapia, eu nem estaria aqui falando com vocês.

E vocês, querendo ou não, fazem parte da minha jornada.

Vocês fazem muita coisa pela Felicia que é dona desse diário de jogos simplesmente por ler seus artigos e compartilhá-los na internet. Mas se quiserem fazer um +1, meu Patreon tá sempre aí, esperando doações.

Obrigada e até mais.

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