Foi Mal – Meditações Sobre Comportamento Político

Depois das eleições de 2016 no Brasil e nos Estados Unidos, A Esquerda em todos os quatro cantos da internet resolveu passar por um período de semancol, pra quem sabe notar que toda essa violência com a qual ela trata pessoas as quais discordam dela só ajuda a Direita.

Esse é o texto mais fácil de entender que fala sobre isso.

Eu tentei argumentar com as pessoas acadêmicas da Esquerda brasileira que fica atacando as pessoas sem motivo real nenhum aqui e aqui usando da sua própria linguagem e dos seus próprios argumentos.

Mas pensando bem agora, talvez eu seja vista como parte dessa esquerda acadêmica violenta, por mais que jamais tenha sido a minha intensão. Esse vai ser um post bem curtinho criticando minha própria violência contra potenciais leitores cisgêneros. Tentando descobrir os motivos por tais comportamentos, e procurando uma solução para tal. Eu sinceramente gostaria que outros blogs “SJW” fizessem a mesma coisa. Ninguém vai mudar o mundo brigando na internet. Se a gente não pode pegar em armas de fogo pra destruir o poder, a nossa única forma de fazer isso é com compreensão, diálogo, respeito e, ouso dizer, amor (palavra que a galera de esquerda parece odiar, refutando toda maldita vez com #eunãosouobrigada).

Vamos tentar meditar com as netas e o neto do Aang

Às vezes a gente tá com raiva. Acontece. A gente é humano. E quando a gente tá com raiva, a gente escreve umas coisas mais… raivosas. Como aquele post sobre o Naoto Shirogane, e ás vezes, por conta disso, esquecemos que deve existir diálogo nessas situações de discussão política. E que todos os pontos tem o direito de serem abordados. Eu acusar pessoas que fizeram a história de romance com o Naoto naquele jogo de estupradores é injusto. Bem como acusar quem gosta do [spoiler] Adachi [spoiler] de ser patético.

Esse diário de jogos, entretanto, não deveria ser um lugar de ódio e briga e imposição de opiniões. Esse lugar existe pra discutir arte e partilhar carinho.

Jogos são uma arte, e arte, pelo menos, não deveria inspirar ódio e briga, e sim apreciação ou a falta dela. Nós falamos sobre como fazer, preservar, desconstruir, documentar e reconstruir essa arte pelo bem da arte em si. Nós falamos sobre políticas LGBT envolvendo videogames. Mas principalmente nós falamos sobre interpretações artísticas desses jogos. E nós falamos sobre como essas linguagens podem envolver ou não vários tipos de metalinguagem diferentes, inclusive por parte da fanbase.

Mas quando eu chamo um artigo de Terra-Média Sombras de Sexismo, uma tendenciosidade violenta aparece bem na cara de minhes leitores. E por mais que essa tendenciosidade vá existir de qualquer maneira na mente de algumas pessoas que me leem pelo simples fato de eu ser uma mulher com uma opinião, a agressividade gratuita não ajuda os meus argumentos, nem os de ninguém. Essa agressividade é um dos problemas da esquerda de internet que tem incomodado tanta gente.

Isso é um vício social. Como o Facebook sempre nos coloca em panelinhas em que todomundo já concorda com todomundo, comportamentos que não seria aceitos em outros contextos acabam se tornando banais. Quantas mulheres cis apoiadoras do movimento cis você conhece que costuma falar sobre arrancar pinto de macho, mesmo que de brincadeira? Já vi uma dona de uma página feminista xingando um garoto de 13 anos por ter pedido ajuda pra ela pra entender melhor o feminismo, dizendo que ela não era obrigada a dar aula pra macho. TREZE ANOS.

A esquerda acadêmica da internet é praguejada com “espaços seguros” e “trigger warnings” que na realidade só dificultam o diálogo e promovem segregação e violência. Muites “SJWs” criticam obras da cultura popular simplesmente por criticar, em vez de promover as boas práticas de inclusão que vem surgindo com o tempo. Nessa “esquerda” violência gratuita é a norma, e a gentileza e a capacidade de ver dois pontos de vista diferentes para criar uma dialética é “querer ganhar cookie de macho”.

As lideranças desses grupos promovem e originam esse comportamento. Estando em uma posição de liderança eu mesma, não posso me permitir fazer parte desse show de horrores.

O que essas pessoas parecem ter dificuldade de entender, é que les cidadães do dia-a-dia não ligam pra representatividade, monopólio cultural, desconstrução dos padrões de beleza ou o caralho que for. Essas pessoas querem comida, abrigo, saúde, roupas e diversão. Se a pessoa se diverte jogando Lollipop Chainsaw, não vê problema no design das personagens de Dragon’s Crown, acredita que a propriedade privada é mais eficiente que a estatal, ou simplesmente se identifica como homem, quem a gente pensa que é pra dizer que essa pessoa tá errada? A esquerda precisa parar de tratar todomundo que não faz parte dela como pombas ignorantes incapazes de argumentar.

Muitas pessoas vieram falar pra mim do “Sim, Nem Todo Homem“, agradecendo por expressar suas angustias com os discursos da esquerda que os impede de falar em todas as suas faculdades. E os meus posts mais pessoais são os que me garantem mais mensagens de agradecimento alheio. Eu recebo pelo menos 30 visitas diárias no blog. Tenho 530 seguidores no Facebook. E administro um grupo de 36 pessoas trans gamers lindas que amo muito. Querendo ou não eu estou numa posição de liderança toda vez que me sento diante desse computador e escrevo nesse site. Então eu sou obrigada a pensar. Que tipo de mensagem estou passando aqui? Eu estou sendo compreensiva e carinhosa, ou estou sendo reacionária com qualquer pessoa que discorde de meu pensamento ou não se encaixe no grupo de pessoas que eu considere dignas de respeito?

Me recuso a tolerar ataques pessoais, é claro. Mas se eu consigo realizar um trabalho que faz as pessoas sorrirem, se indagarem sem se sentir ameaçadas, e se sentirem menos sozinhas, é o que farei. Isso não é só um desejo meu, mas um dever como influenciadora de opiniões e “líder” des leitores mais assídues.

Existem muitas outras implicações aqui que eu não abordei, como o impasse da crítica sem violência, e da necessidade de espaços seguros para tratar de assuntos pessoais, mas isso é assunto pra outro post.

Eu gostaria de fechar esse post com uma breve observação:

É possível ser de esquerda ou de direita sem ser idiota. Des minhes leitores, só espero respeito, não concordância.

Então é. Foi mal. Foi mal pra caralho. Em todos os sentidos da frase que você puder imaginar.

Um comentário sobre “Foi Mal – Meditações Sobre Comportamento Político

  1. Yoh, Child of Dark disse:

    Algumas colocações que gostaria de fazer sobre o assunto:

    Creio que parte do problema vem de arrogância: povo acompanha 4 paginas no face, le um ou dois livros sobre determinado assunto e ja começa a olhar para aqueles que pensam de forma diferente com desprezo.

    Espaços seguros devem ser usados para quem é vitima de algum tipo de abuso, para confortar, e não para debater ideias, os “debates” que rolam nesse tipo de lugar são sempre uma masturbação intelectual onde todo mundo concorda com todo mundo, e como dizem por ai: se 10 pessoas numa sala tem a mesma compreensão do objetivo, pelo menos 9 são descartáveis.

    Alem de comportamento infantil, acho também impossível debater com quem muito apela a falacias, até tento se a pessoa tiver um minimo de cordialidade, mas se partir pra frases de efeito (“bandido bom é bandido morto” ou “Homi tem mais é que morrer mesmo”) ou pior ainda, começar a responder com memes, baixa meu lado fdp e vou trollar a pessoa sem dó mesmo -q

    Felizmente tem espaços bem legais pra debates por ai, onde o que vale é o respeito, independente de ideologia (e geralmente a galera fica bem amiga mesmo quando defendem extremos opostos).

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