Solstício de Dezembro de 2018

Esse post se trata da religião Wiccana. Mas também tem anúncios e esclarecimentos em uma segunda parte para a qual quem não tem interesse em religião poder pular só pra se manter atualizada.

Desde que a página do Facebook começou lá em 2015 eu tenho feito um leve trabalho de feitiçaria cibernética junto com esse projeto. Esse trabalho consistia em escrever textos na página para refletir sobre os 8 Sabbaths da Roda do Ano druídica e wiccana (algumas pessoas chamam ela de Roda do Ano Celta, mas eu não acho que seja possível afirmar o contexto histórico que justifique esse termo).

Esses textos haviam sido delegados ao Facebook, pois é um lugar casual onde eu não necessariamente preciso manter algum tipo de “tema”. Mas com um novo ano gregoriano chegando e a perspectiva da minha provável iniciação se aproximando, eu decidi que a conexão do meu trabalho profissional e acadêmico é importantíssima. Com o desejo de mudar algumas coisas por aqui, trago então esses textos também, que ao decorrer do projeto serão escritos conforme novos temas e reflexões sobre essas importantes épocas do ano forem surgindo.

Gostaria de lembrar antes de começar que as histórias que eu trarei aqui geralmente não fazem parte do consenso que as pessoas chamam de “celta”. Eu vou estar falando de vários mitos e interpretações que acabam fugindo das leituras clássicas de Gardner e Farrar porque a Roda do Ano é pra ser algo pessoal. Se algo que eu disser aqui ressoar contigo, mais poder pra nós. Se não, vida que segue e incentivo você a encontrar seus próprios mitos.

A Roda do Ano é uma história de amor. Com mortes, nascimentos, beijos, transas, casamentos, responsabilidades e crises. É a história de como a Deusa, ou se me permite, o próprio universo, ama a si mesma constantemente em um ciclo sem fim de todas aquelas coisas que nós seres humanos chamamos de amor.

Okay, se preparem pra viagem metafísica:

A Deusa criou o universo, ela própria sendo o universo, se gerou. A imagem material de si mesma. A Deusa existe no campo imaterial e astral. Ela é a própria noção de alma e essência. Tudo é ela e ela é tudo. Mas para a experiência humana, não adianta de muito a essência se não existe a matéria para que ela faça sentido. Para que a Deusa pudesse realmente existir ela criou a sua imagem material. O universo material. Como chamam dentro do Féri (e na minha Wicca pessoal): O Deus.

O Deus e a Deusa, na tradicional história da Roda do Ano, se conhecem, se apaixonam, se casam, cuidam do seu reino juntas, e tem um filho. O filho, entretanto, só nasce depois da morte do Deus. Pois ele é o próprio Deus.

A materialidade é finita e exige a morte, mas o espírito é eterno. O Deus é mortal, mas A Deusa não, e Ela está numa busca eterna por amor. Então Ela constantemente gera o seu próprio marido como ferramenta de expressão do amor dela por si mesma.

Ela própria sendo eterna, o amor entre Ela e O Deus também é. O Deus não pode ser gerado sem a sua própria fertilização com A Deusa. E A Deusa não pode existir sem o amor do Deus pois Ela é o próprio amor.

Uma não pode existir sem a outra. E nisso percebemos que as atribuições de gênero das duas divindades não passam de conveniência, pois é mais simples para seres humanos associarem a auto criação do universo com a criação de mamíferos terráqueos. Apenas fêmeas são capazes de fazer com que outra de sua espécie surja, mas isso só acontece com a cópula com um macho da mesma espécie.

E o amor também está presente nesse ciclo entre os mamíferos. Amor entre parceiros, amor pelos filhos, amor pela própria vida.

E traço especificamente o paralelo com mamíferos pois a forma como outros animais se comportam diante da geração de seus próximos é muito diferente da de seres humanos e é mais difícil de entender elas do que entender aquela pira metafísica.

O ponto é: Criação. A Roda do Ano se trata de criação e geração do universo por si mesmo. Nós mamíferos percebemos amor no ato da criação, de nós mesmas e do universo. E todas as fases desse processo de criação estão simbolizadas nas 8 celebrações que nós bruxas chamamos de Sabbaths.

Nessa sexta-feira, dia 21 de Dezembro de 2018, acontecerá o Solstício de Dezembro. O dia mais longo do ano no hemisfério sul, e o mais curto no hemisfério norte. E enquanto as pessoas lá pra cima estão se encolhendo em casa na frente das suas lareiras a gente tá ASSANDO DE CALOR.

Como assim Curitiba fazendo 31ºC no meio da noite, velho?

Esse solstício acontece logo depois do Beltane, o casamento e a transa entre A Deusa e o Deus. E elas acabaram de começar a sua família e estão esperando que o seu filho nasça. O Sol na Wicca é normalmente associado com o Deus, mas também pode ser associado com a Deusa, vendo que a maioria das culturas ao redor do globo antes da cristianização via o Sol como uma mulher.

Seja como for, esse é o ápice do poder do casal. Mais iluminadas do que nunca, elas estão prontas para montar o seu lar, decorar a casa, adotar uns gatos. A melhor parte do casamento: o começo.

É uma celebração do poder e da juventude do Sol, da Deusa, do Deus e do Grande Espírito que é a união das duas.

Mas enquanto celebramos o ápice do poder e das possibilidades, também somos obrigadas a nos lembrar da responsabilidade. A Deusa se Transforma em Mãe, a protetora do lar. E o Deus se transforma em Homem Verde, a personificação do crescimento das plantas e patrono das plantações.

Elas são mãe e pai agora de todo um universo pra cuidar. E nos ensinam como cuidar dos nossos próprios universos.

Não existe um consenso de como esse sabbath deve ser celebrado. Cada bruxa tem sua pira. Mas vamos ser honestas que quase toda brasileira já celebra essa época. E de um jeito bem brasileiro:

Ir com a família pra praia. Se aproveitar de todo esse poder que nós temos e que o Sol nos trás com festa. Só lembrar que não é carnaval ainda, e a ideia é usar seu poder com responsabilidade não dar PT na rua.

A tradição no Facebook era associar a celebração com algum videogame. E o jogo da vez é Pikmin 3.

Três exploradoras precisam ir para outro planeta para conseguir recursos para o seu planeta natal, mas lá eles encontram os pikmin, pessoinhas plantas muito fofas que ajudam as exploradoras a arrumar sua nave e encontrar o tesouro.

O jogo é quase como passar as férias em uma cidade pequena, acampando ou em alguma chácara, e aí você se toca que perdeu a carona de volta e tem que se virar pra dar um jeito de voltar pra casa. Aqueles acidentes que a vida nos joga na cara pra gente aprender responsabilidade, bem como o tema que eu trouxe pro Sabbath esse ano.

Então aqui estão os cabeçalhos decorativo para o Solstício de Dezembro de 2018 com tema de Pikmin 3!

E aqui tem os dos outros sabbaths que eu fiz pro Facebook

Como vocês talvez tenham percebido pelas imagens, eu quero mudar algumas coisas por aqui. A começar pelo visual. Sexy né? Não sei se tá melhor do que antes, mas está diferente e diferente é bom. Podem esperar algumas experimentações aqui nas próximas semanas.

O Patreon ainda tá fechado porque se for depender de banco pra alguma coisa você morre na estrada.

Também temos um grupo no Facebook chamado Espaço Trans de Automação Pseudo-Acadêmica Revolucionária Gamer (Beep Boop) e obviamente uma versão de Telegram dele.

Claro que você ainda pode me acompanhar no Facebook e no Twitter, mas como eu deixei claro nos textos anteriores, eu estou decepcionada com essas redes sociais então não esperem tanta coisa assim por lá. Só posts novos no blog e ocasionalmente um meme de videogames ou de ser trans. Ou os dois.

Eu ainda quero fazer um canal novo no Telegram. Mas antes disso eu tenho uma pergunta séria a fazer.

Nesse último semestre eu fiz um curso no IFPR, e eu notei que o nome do blog é um tanto difícil pra pessoas que não falam inglês entenderem. Então a divulgação, considerando que eu só faço textos em português, fica difícil. Então eu pensei em trocar de nome, mas eu quero o feedback de vocês que já me leem.

Eu não sei embedar as coisas direito, mas você pode responder isso no Twitter.

No mais é isso. Amo vocês e até mais ver, corações.

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