Explorando o Equinócio de Setembro de 2019 com Sora, Donald e Pateta

Hoje é dia 21 de Setembro. O momento astronômico onde do dia e a noite tem exatamente a mesma duração em todos os lugares do mundo, e o Sol está perfeitamente alinhado com a linha do Equador. Muitas religiões do mundo tem associado esse dia especial com vários acontecimentos místicos diferentes e suas respectivas festividades.

No outro equinócio, em março, Persas, Eslavos e Egípcios celebravam a vinda da primavera decorando e presenteando ovos uns aos outros como um símbolo da fertilidade da terra e dos animais que viria na primavera. Foi daí que vieram os ovos coloridos da páscoa cristã.

Com a adaptação necessária para casar os antigos feriados druídicos com as estações do hemisfério Sul, neo pagãos nessa parte do mundo estão celebrando o Equinócio de Primavera.

A Páscoa não é o aniversário de Lilith. Nem Inanna. Nem Ishtar. Tem muitos conspiracionistas de Facebook querendo clamar isso sem provar qualquer fonte. A palavra “easter” vem de “Austrǭ“, uma palavra protogermânica que provavelmente significava “amanhecer”, sem nenhuma ligação com o povo mesopotâmico. A Deusa Eostre provavelmente foi uma invenção da igreja católica pra facilitar a sincretização dos feriados druídicos dentro do catolicismo. E se você chamar esse feriado de “Ostara” na frente de um pagão irlandês é capaz dele socar a sua cara (12ª Conferência de Wicca e Espiritualidade da Deusa, palestra com Sophia Boann). E a palavra Páscoa em português vem da palavra Pesakh, do hebreu, que é uma celebração judaica do êxodo.

Não existem muitos textos consistentes do que o equinócio de primavera quer dizer. Mas a sacerdotisa Sophia Boan da Tradição Gardneriana de Wicca na Irlanda, em uma palestra que ela deu na 12ª Conferência de Wicca e Espiritualidade da Deusa, nos passou um ensinamento muito importante quando se trata de compreender os Sabbaths. De nada adianta resgatarmos o conhecimento dos ciclos da vida irlandeses se nós vivemos num lugar completamente diferente da Irlanda. Como neo pagãos nós devemos ter a liberdade de compreender a natureza ao nosso redor como ela é, e não como nós idealizamos que ela deveria ser com base em fantasias europeias.

Eu levo esse ensinamento um passo além. A minha natureza é urbana em um mundo pós combustível fóssil. A mata atlântica que um dia cobriu o lugar onde eu moro é diferente das florestas e pastagens irlandesas. E mesmo que não fosse, ela mal continua a existir e eu estou rodeada das poucas plantas dessa matas que foram capazes de sobreviver urbanização desenfreada. Minha natureza é urbana. E a minha compreensão dos Sabbaths também, que é o que levou a essa série de textos mitológicos.

O que há de certo sobre o Equinócio de Primavera na Wicca é isso: O equilíbrio perfeito entre luz e sombra – dia e noite. E a juventude da Deusa e do Deus que ainda estão explorando o mundo ao seu redor.

Na construção dos meus mitos urbanos para a bruxa lésbica moderna, O Equinócio de Primavera é quando a Deusa e o Deus, na inocência da infância, vão explorar o mundo e descobrir o que são todas essas coisas que seus pais – eles próprios antes de si – criaram para eles. Todos os animais, plantas, insetos, brinquedos e desenhos animados.

A criança é curiosa, e este é o Sabbath do espírito da criança. Para saciar a curiosidade dela, portanto, escondemos ovos coloridos, como os antigos persas faziam, para que ela saia por aí procurando por eles, que nem as crianças de hoje saem por aí jogando Pokémon Go!

Mas eu já associei esse sabbath com Pokémon Go ano passado e agora eu quero fazer algo mais inusitado. E o que é mais inusitado do que Kingdom Hearts?

Quem diria que misturar Disney e Final fantasy seria uma boa ideia? Há quem diga que mesmo depois dos jogos serem lançados ainda foi uma má ideia, mas com certeza há ousadia!

Kingdom Hearts trata das duas únicas coisas que temos certeza sobre o equinócio na Wicca: Equilíbrio de luz e sombra, e juventude.

Toda a série de jogos que vem sido desenvolvida desde 2002 trata-se de um diálogo entre personagens que representam a Escuridão – Malévola – a Luz – As Princesas – E o caminho do meio – Mickey, através de aventuras envolvendo crianças pezudas de cabelo pontudo que são donas do meu coração desde a minha pré adolescência.

Além disso, o protagonista da Série, Sora, é um adolescente que acaba participando desse diálogo por mero acaso, mas aceita tomar parte da sua busca por equilíbrio junto com Donald e Pateta pela sua simples vontade e de explorar o mundo, conhecer pessoas e lugares novos, e fazer o bem por onde ele passe. E ele faz tudo isso com o entusiasmo primaveril característico das crianças. Tanto as de verdade quanto aquelas que existem dentro de nós.

Se você tem crianças com quem passar esse Sabbath, é melhor mesmo vocês saírem de casa pra jogar Pokémon Go e não tentar fazer essas crianças entenderem uma das histórias mais confusas da história do videogame. Mas se você for uma adulta como eu que precisa resgatar um pouco da sua criança interior, vamos olhar pro Sora e como mesmo depois de 17 anos ele nunca perdeu o entusiasmo por explorar o mundo, por ajudar as pessoas, e por personagens da Disney.

Blessed Be.




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