Em Memória de Maria Creveling, Remilia

Apesar de hoje ser dia da visibilidade trans só no Brasil, eu quero tomar um momento pra relembrar de uma gringa que inspirou muito a mim e muita gente que conheço, e recentemente perdeu a vida.

Maria Craveling era uma jogadora profissional de League of Legends que em 2015 fez história se tornando a primeira mulher a ser classificada para jogar na LCS, a liga de campeonatos oficiais de LoL.

Desde 2013 ela vinha se destacando na liga Challenger jogando com vários times diferentes e se provando uma suporte extremamente habilidosa. Na realidade era tão boa com o personagem Thresh que seus fãs conheciam ela como Thresh Queen.

Mas esse momento histórico também foi um momento horrível para Remilia. Um dos sócios do time para o qual ela estava jogando na época, Renegade, prometeu uma cirurgia de redesignação sexual caso ela conseguisse colocar o time na LCS. Entretanto essa cirurgia foi feita numa clínica clandestina na Tailândia, e, portanto, os médicos não tiveram todos os cuidados nem tinham toda a habilidade necessária para realizar uma cirurgia tão complexa.

Remilia reportou no seu Twitter – com postagens já apagadas – a situação de estresse que ela estava sendo submetida jogando pela Renegade. Além do abuso emocional e da falta de pagamento, ela sofria de dores pélvicas crônicas por causa das sequelas da cirurgia, que eram permanentes e tornavam todas as atividades do dia dela mais difíceis.

Ela tentou voltar para as ligas profissionais viajando até Porto Rico para participar do time Kaos Latin Gamers, mas teve que voltar para os Estados Unidos por causa de ainda mais complicações médicas.

Ela continuou mais ou menos ativa no Twitch depois disso. Na sua última stream ela estava jogando algumas partidas aleatórias no rank Diamante 4 do servidor brasileiro enquanto relatava o quão ruim foi o seu último natal em família.

No dia 28 de dezembro de 2019, seu amigo Richard Lewis postou no twitter:

“É com grande tristeza que eu lhes informo que minha melhor amiga, Maria Creveling, morreu pacificamente em seu sono ontem a noite. Sua ausência deixará um vazio que jamais será preenchido.”

@RLewisReports

Lewis também aponta que Remilia nunca gostou de ser o centro das atenções. Isso é extremamente compreensível já que ela foi alvo de inúmeros trolls e grupos de ódio e transfobia desde que ela começou a fazer parte das ligas Challenger. Mas eu gostaria de tirar um momento só pra gente lembrar dela. Lembrar do que ela fez, do que ela passou e do que ela significou pra tanta gente que também queria estar nas ligas profissionais e sentiu que ela lhes abriu as portas.

Apesar de ter sido uma história muito triste, ela fez história. Então vamos lembrar dela como a rainha do Thresh que ela foi, e lembrar das injustiças feitas contra ela para que nada do tipo se repita novamente.

Descanse em paz, Remilia.

Publicado em: Etc

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