She-Ra, Marvel e As Princesas Sapatão

Final de abril vai estrear o novo filme dos Vingadores, e eu até pensei em entrar no trem do hype e fazer algo relacionado aos filmes da Marvel. Mas pra que bater em cachorro morto?

Filmes da Marvel não são nada além de bons. Filmes gostosos de ver no cinema e comentar com os amigos, mas no final das contas é o mesmo filme sendo lançado 3 vezes por ano.

Capitã Marvel, entretanto, me intrigou. Não sobre o filme em si – ele é exatamente como todo mundo esperava que ele fosse – mas sobre uma outra super heroína loira consideravelmente parecida. E o produto criado para promover essa outra super heroína é muito mais interessante pra mim como crítica midiática do que a Capitã saiya-jin.

Essa super heroína é a She-Ra de She-Ra E As Princesas do Poder, desenho animado lançado em 2018 na Netflix que ganhará uma segunda temporada na mesma semana do lançamento de Vingadores: Ultimato no final desse mês.

Então como uma boa crítica interessada em trabalhos audiovisuais envolvendo super-heroínas eu vou falar sobre She-Ra e todas as suas semelhanças e diferenças com as heroínas da Marvel, do Steven Universo e dos demais trabalhos de Noelle Stevenson.

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Lughnasadh 2019, Donkey Kong 64 & Visibilidade Trans

Sabe quando você está jogando um RPG medieval qualquer, e aí você chega num vilarejo aleatório e está tendo um “festival da colheita” cheio de jogos, brincadeiras, e quitutes deliciosos? Mas, principalmente, um campeonato que suas personagens provavelmente vão ser obrigadas a participar?

Talvez a sua narradora não saiba, mas isso provavelmente foi baseado numa celebração que os antigos irlandeses chamariam de Lughnasadh, que ainda acontece tradicionalmente no dia 1 de Agosto na Irlanda e outros lugares que herdaram essa cultura no hemisfério norte, ou no dia 2 de Fevereiro para neo pagãs do hemisfério sul.

E o Lughnasadh foi bastante especial esse ano, graças a Donkey Kong 64, sereias e um certo menino que adora soja.

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Apesar de tudo, jogos ainda são arte.

Eu to tentando falar sobre videogames como arte desde que a Thais Weiller publicou “Jogos Não São Arte” (texto que você provavelmente deveria ler), e eu queria muito elaborar um contra ponto pra mostrar o quanto eu discordo do seu ponto, mas, no final das contas, depois de 2 anos de deliberação, eu noto que ela está certa… Mais ou menos.

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Trans In Games – Overwatch – D.va & A Apropriação Agressiva

Arte por KNKL

AAHHHHHH FINALMENTE TENHO UM COMPUTADOR DE VOLTA, PORRA!

Como é agonizante ficar sem me comunicar com vocês! Yeesh.

Mas agora eu to de volta, vai rolar altas novidades (então não esquece de me seguir no Facebook). E eu decidi chegar chegando.

É muito, muito raro quando uma desenvolvedora de videogames cria protagonistas trans de propósito. Eu falei já sobre apropriação transgênera em outro momento. Mas hoje eu quero falar sobre um fenômeno que eu creio ter pego a comunidade trans gamer um pouco surpresa, mas nos fez sentir ainda mais válidas do que nos sentíamos antes e iniciou um movimento ainda mais agressivo de apropriação transgênera da nossa parte.

Edit: Esse post é sobre MEMES que fazem parte de um movimento trans anarquista. A D.va NÃO é canonicamente trans e não é isso que to querendo dizer aqui. Ok? Ok. Continuar lendo

O problema não-binário

Eu vou me posicionar diante de uma questão que costuma dividir o transativismo de forma bastante violenta, e eu honestamente não tenho ideia de como fazer isso sem acabar ofendendo alguém ou sendo respeitosa com todas as partes possíveis. Eu tenho a impressão que esse assunto inevitavelmente vai machucar alguém a não ser que todomundo aprenda a agir como adultos. Então eu não vou tentar esconder nem deixar “mais amena” minha opinião sobre isso.

Eu vejo websites como o orientando.org e eu honestamente fico me perguntando, o que há de errado com essa adolescência que precisa tanto se afirmar fora do padrão que inventa “identidades” completamente sem sentido, e potencialmente ofensivas como “kingênero”? E ao mesmo tempo eu vejo pessoas criticando pessoas assexuais ou arromânticas chamando-lhes de “floquinhos de neve” e não consigo entender direito de onde vêm tanta necessidade de negar identidades inofensivas. Continuar lendo

The Game Awards 2016

Gente, o negócio é o seguinte. Eu queria, mas queria muito mesmo ficar animada com o The Game Awards desse ano. Mostrar pra vocês toda a celebração da cultura gamer em uma noite de festa do mesmo jeito que o ano passado.

Mas os Game Awards desse ano não passaram de uma propaganda gigante de 2 horas e meia.

3 anos atrás, quando Geoff Kieghley resolveu fazer isso sozinho, os TGA eram pra ser a antítese dos Spike Awards. Mas no final? Virou a mesma bosta desrespeitosa de sempre que só quer vender.

Os The Game Awards de 2016 tiveram o menor tempo de todas as edições dedicados a reais premiações. Todos os prêmios foram dados de forma muito rápida e muito inconsequente. E a maioria dos prêmios nem foram dados no palco do show! De todas as 24 categorias, só 12 receberam prêmios no palco! E algumas dessas categorias nem fazem sentido, tipo “melhor criação de fãs” ou “melhor estúdio/direção”.

Eu me sinto envergonhada, inclusive, de me animar pra tal evento. Que a partir desse ano será a mesma bosta que o spike era: Corporações multinacionais chupando o pau umas das outras.

O show teve 4 momentos genuinamente bons. Mas eles sendo esmagados continuamente pelo corporativismo desenfreado, perderam quase todo o seu valor.

A premiação foi tão patética que ninguém nem se incomodou em fazer gifs engraçados Continuar lendo

Magia Cinematic Universe

Uma das partes mais legais do universo da Marvel – e de quadrinhos em geral – é a magia. Aqueles aspectos da realidade do quadrinho que não são, não precisam, e não devem ser explicados por scientific babble, e se encaixam bem melhor no reino da filosofia/espiritualidade/religião.

O que eu acho particularmente interessante sobre Magia Marvel, é que ela se baseia em conceitos “reais” de magia. E geralmente (não sempre, depende de autor pra autor e de qual época a gente tá falando) se mantém distante daquela coisa de todomundo ter super poderes e magia ser só uma desculpa pra quando você não tem uma desculpa. Ou então aquela putaria de mesas de Mundo das Trevas que faz parecer que todas as criaturas do universo são sobrenaturais e não existem pessoas normais de verdade.

Ah é. Spoilers de Dr. Strange a seguir: Continuar lendo

Foi Mal – Meditações Sobre Comportamento Político

Depois das eleições de 2016 no Brasil e nos Estados Unidos, A Esquerda em todos os quatro cantos da internet resolveu passar por um período de semancol, pra quem sabe notar que toda essa violência com a qual ela trata pessoas as quais discordam dela só ajuda a Direita.

Esse é o texto mais fácil de entender que fala sobre isso.

Eu tentei argumentar com as pessoas acadêmicas da Esquerda brasileira que fica atacando as pessoas sem motivo real nenhum aqui e aqui usando da sua própria linguagem e dos seus próprios argumentos.

Mas pensando bem agora, talvez eu seja vista como parte dessa esquerda acadêmica violenta, por mais que jamais tenha sido a minha intensão. Esse vai ser um post bem curtinho criticando minha própria violência contra potenciais leitores cisgêneros. Tentando descobrir os motivos por tais comportamentos, e procurando uma solução para tal. Eu sinceramente gostaria que outros blogs “SJW” fizessem a mesma coisa. Ninguém vai mudar o mundo brigando na internet. Se a gente não pode pegar em armas de fogo pra destruir o poder, a nossa única forma de fazer isso é com compreensão, diálogo, respeito e, ouso dizer, amor (palavra que a galera de esquerda parece odiar, refutando toda maldita vez com #eunãosouobrigada). Continuar lendo

Diário Grosseiro

Arte por Xiwik

Hoje é dia 7 de novembro, e eu devia escrever sobre o N7 Day, mas vou é fazer um diário porque o blog é meu e eu escrevo o que eu quero. Mwahahahaha.

As últimas semanas da minha vida tem sido uma bagunça de estudos, insegurança, sexo, depressão, crises de baixa auto-estima, desesperança, desafio pessoal, dor nas pernas, postura e esforço criativo.

Eu to morta. Eu quero deitar no chão e chorar, mas eu não tenho escolha, tenho? Ou eu trabalho com isso tudo até desmaiar, com uma pequena chance de vencer minha doença; ou eu morro.

Um aviso pra pessoas com menos de 14 anos e gente que se incomoda com essas coisas: Tem desenho de gente pelada no artigo.

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Trans In Games’ Spin Off – Pokémon GO, Passabilidade e Gêneros Subjetivos

Isso é um Spin Off da coluna Trans In Games que eu criei com o objetivo de falar sobre Pokémon GO. Já tem um tempo que eu queria fazer um Trans In Games sobre Pokémon, mas a verdade é que a série não tem muita coisa pra ser trabalhada na questão de gênero. Não existe ambiguidade nos gêneros dos treinadores e treinadoras Pokémon exceto talvez de uma Beauty que aparece no Pokémon X/Y.

E aí veio Pokémon GO. E quando você chega no nível 5 nesse jogo, você deve escolher de qual time você fará parte: Você tem coragem e força do time Valor, sabedoria e inteligência do time mystic, ou intuição e instinto selvagem do time Instinct?

Não é de se impressionar que quando revelaram quem seriam os líderes dos vindouros times de Pokémon GO, a comunidade trans escolheu TODOS ELES.

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Arte por Mico/Lu

Muita gente pirou nesses líderes porque… Eles parecem com a gente.

Spark, um menino de feições “afeminadas” e postura relaxada foi pego pela comunidade como, não apenas um guri trans, mas também o Senhor dos Memes. Esse moleque ficou tão epicamente zuado nas redes sociais que ele passou a ser conhecido como um garoto que quer mais se divertir e não liga muito pra brigas (nem pra relacionamentos). Muitas pessoas vêem o spark tanto como um guri trans como um ace.

A Blanche, minha waifu eterna, saiu com roupas azuis, brancas e roxas – cores muito próximas da bandeira trans. Isso em combinação com suas feições ambíguas fez a galera pegar Blanche como uma pessoa não-binária.

E a Candela já se imprimiu na cabeça das pessoas como uma sapatrans pronta pra pegar.

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Arte por POM

Eu pessoalmente gosto de ver a Blanche como uma mulher transfeminina que nem eu, e a Candela como uma sapatrans atleta e as duas estão num namoro lésbico. E eu gosto de ver um spark como um carinha amigo das duas que fica fora disso (não é importante se ele é trans ou não por que eu quero saber é das duas).

Mas nem tudo são flores, né?

A um tempo atrás eu postei algo na página do Facebook sobre esse jogo que eu vou parafrasear aqui:

Ontem eu estava ouvindo um podcast (cooptional podcast, do total biscuit) onde foi comentado sobre como eles odeiam as pessoas atribuindo identidades de gênero não-binárias aos líderes dos três times de Pokémon Go, e eu senti necessidade de me posicionar sobre o assunto e esclarecer umas coisas pra galera cis.

É péssimo quando as pessoas brigam por causa de uma personagem fictícia – ainda mais quando o motivo da briga é a identidade de gênero da personagem – isso diminui o valor artístico dessa personagem e usa pessoas trans de verdade como token pra uma discussão sem sentido.

Agora, se eu quiser dizer que a Candela é uma mulher trans lésbica ou whatever, isso não é da sua conta.

A maior parte do meu trabalho aqui gira em torno da morte do autor – uma teoria filosófica que muita gente não concorda, o que é de boa, mas não vamos brigar por conta disso – que fala sobre como, depois que uma obra é publicada, o autor perde toda a autoridade sobre a sua obra e ela passa a pertencer ao público, que através da apreciação e de diferentes interpretações, dão a essa obra o status de arte.

Videogames não são exceção. E a visão de cada pessoa sobre essas personagens vale mais do que a visão da Nintendo. São interpretações individuais que tornam arte, arte.

A beleza em particular das fandoms é o quanto essas interpretações individuais tomam vida na forma de fanart, fanfic, e discussão saudável.

Vendo que a internet nos permite dividir nossas próprias opiniões sobre obras de arte, no meu blog eu proponho interpretações políticas que desafiam papéis de gênero, expõe transfobia, e desfia a importância do “canon” (e sendo completamente sincera, do direito autoral também).

E eu também defendo que a discussão sobre a natureza dessas obras pode ser pacífica. Muita gente veio brigar comigo pra defender o fato de que o Naoto de Persona 4 é uma menina cis, que a Gwyndolin de Dark Souls é um homem cis e que a Linkle de Hyrule Warriors Legends é uma menina cis. E eu sinceramente acredito que as pessoas que vieram brigar comigo por causa disso não sabem o que arte significa, e eu simplesmente sinto pena delas. Será que dói pensar que suas personagens favoritas podem não ter a mesma identidade de gênero que você gostaria que elas tivessem?

O quê eu proponho aqui é uma desconstrução da cisgeneridade compulsória e é o que eu espero que minhes outres irmãs e irmãos trans fãs de Pokémon Go também estejam fazendo.

Mas agora eu tenho que admitir, tem algo além do desafio à cisgeneridade compulsória acontecendo aqui.

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Arte por Monmon

Vocês notaram como as minhas visões pessoais (meus head-cannons) divergem do consenso geral da comunidade trans sobre essas personagens? Eu chego até a ser um pouco misândrica em relação ao Spark por não conseguir ver ele como nada além do Senhor dos Memes.

E acho que isso tem a ver com as nossas noções de gênero e passabilidade.

Gênero é uma construção social – difícil negar isso – e como toda construção social, ela depende de um consenso. Mas quando a maioria das teorias sobre gênero que nós temos hoje surgiu, não existia o Tumblr nem todos esses gêneros que hoje estão além do masculino e do feminino e não se limitam apenas à variação “queer” ou outras variações regionais. E o gênero, hoje em dia, é visto como um papel que nós damos a nós mesmos.

Mas vamos ser realistas por um segundo. Se você tem barba, está usando calças e camiseta larga e está cruzando a rua comigo quando eu preciso desesperadamente perguntar as horas eu vou dizer “moço, você pode me dizer as horas?”, mesmo que você seja, por dentro, uma moça.

Gênero é identidade, mas gênero também é performance, e eu vou soar muito babaca por dizer isso, mas sendo completamente sincera, nós não podemos esperar respeito à nossa identidade a não ser que performemos essa identidade. E a performance de barba, camisa larga e calças me diz, imediatamente, homem. Essa não é nem de longe a única maneira de expressar masculinidade , mas esses significadores vão dizer para mim e para todo o mundo ao redor dessa pessoa: homem. Junto com todos os privilégios que isso acarreta.

Quando a gente entra no espectro não-binário de expressões de gênero as coisas ficam mais complicadas pois não há consenso. O que é masculino pra uma pessoa é feminino pra outra. O meu cabelo curto novo me rendeu elogios sobre a minha feminilidade no curso que eu faço. O mesmo cabelo me rendeu um atendente de lanchonete me chama de “rapaz” e um grupo de jovens preocupados no ônibus a me perguntar se “você tá bem, bróder?”, mesmo que em todas essas situações eu estivesse de saia.

Quando eu vi Blanche, eu imediatamente li nessa personagem uma mulher. E a maior parte das pessoas também parece ter tido a mesma impressão com a líder do time Mystic. Mas o meu irmão (cis) leu essa personagem imediatamente como homem; e uma amiga minha fica legitimamente confusa com o gênero dessa personagem e não sabe o que dizer quando se trata dela. E enquanto isso várias outras pessoas vêem Blanche como sendo de vários outros gêneros não-binários diferentes.

A Candela é uma mulher de curvas expressivas, e muitas pessoas pensam que ela não tem como ela ser trans com todas essas curvas. Enquanto que outras pessoas argumentam que ela é trans JUSTAMENTE por causa dessas curvas.

E o Spark… É o Senhor dos Memes.

(dá pra ver que eu sou Mystic só pelo tamanho dos parágrafos né?)

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Arte por Merkymerx

O que era claramente feminino pra mim, era claramente masculino pro meu irmão. O que era claramente transfeminino para alguns, era claramente cisfeminino para outros.

A verdade é que existem pessoas de todos os tipos de corpos e aparências em todos os gêneros. E a forma como nós lemos os outros nem sempre vai bater com a forma como a própria pessoa se vê ou como a pessoa do seu lado vê ela. Como eu disse nesse outro post, passabilidade é um conceito que logicamente não tem como existir, pois cada pessoa construiu ideias de gênero na sua cabeça de forma diferente da outra. E eu jamais poderia criminalizar o atendente da lanchonete por me chamar de moço, afinal, ensinaram ele desde criança que qualquer pessoa com cabelo curto é homem; enquanto que eu aprendi que pessoas como a Blanche são sempre mulheres; e outras pessoas nem tanto.

E até que a pessoa que é assunto desses julgamentos se manifeste, nenhum de nós está errado.

E como eu duvido que algum dia a Niantic se manifeste sobre os gêneros e sexos canônicos de cada personagem, a blanche e a candela vão continuar sendo sapatrans lindas, e o spark vai continuar sendo um menino bobo e divertido provavelmente assexual.

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Blanche, me possua <3 | Arte por Aurahack