Resenha: Sistema AGE

A Adventure Game Engine (AGE) foi um sistema de RPG de mesa criado por Chris Pramas e publicado pela Green Ronin em 2010 como base para o Dragon Age RPG, publicado oficialmente no Brasil pela Jambô Editora.

E quem passou mais de 3 horas com os livros na mão tentando jogar ele sabe que, ao contrário do jogo eletrônico, o RPG de mesa não foi um jogo muito bem feito. Mas talvez essa pessoa não saiba que as edições seguintes do sistema são infinitamente melhores e muito, muito bem feitas.

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Eu Não Quero Mais Fazer Jogos

Dia 29 de Junho de 2018. Acabei de voltar de um pequeno grande evento chamado Glitch Mundo, que foi criado por um pequeno coletivo de desenvolvedoras independentes ao redor do país como uma resposta ao BIG Festival.

E conversando com aquelas pessoas e refletindo sobre o meu papel naquilo tudo, chego à conclusão de que: Eu não quero mais fazer jogos. Continuar lendo

Mas Naquela Época! História do Preconceito Sexual na Fantasia Medieval

Trigger Warning: Weird Tales. As Crônicas de Gor. Não tente satisfazer sua curiosidade mórbida.

Enrolei pra caralho. Mais de um mês, mas aqui estou de volta ao reino dos mortais para falar de Fantasia Medieval e do porque eu gosto tanto de Dragon Age e não consigo calar a boca sobre esse negócio. Mas antes de falar da desconstrução do gênero, é bom a gente falar da construção dele. Em específico sobre a relação dele com preconceitos sexuais.

Da última vez nós falamos da origem dos preconceitos sexuais no nosso mundo. E aquela foi uma discussão extremamente interessante e elucidativa, mas por que ela é importante pra falar de fantasia? Fantasia é o que quer que surja nas nossas imaginações, não é mesmo? Então por que isso deveria importar? Continuar lendo

Mas Naquela Época! Introdução & História do Preconceito Sexual

Fantasia Medieval. Meu gênero de ficção favorito pra ser honesta. Ele nos da dragões, magia, e uma base semelhante o suficiente a história do nosso próprio mundo pra explorar problemas mais pé no chão que talvez não sejam possíveis nos gêneros de ultra-high-fantasy ou sci-fi.

Okay, talvez isso seja só uma desculpa pra um certo fetichismo nórdico criado por Tolkien. Mas é um gênero MUITO popular! Principalmente no mundo do RPG. E justamente por ser tão popular ninguém pensa muito sobre. “Ah, é só mais um D&D” pensam os céticos quando olham pra uma caixa de Dragon Age. Mas o conteúdo dessas caixas escondem muito mais do que cavaleiros e dragões.

John R. R. Tolkien, Robert E. Howard, Dave Arneson e Gary Gygax criaram todas as regras silenciosas da Fantasia Medieval que ninguém questiona ou põe a prova. E os seus trabalhos eram abertos o suficiente (principalmente do Gygax) pra que qualquer suposição que o seu publico alvo tenha sobre a realidade acaba entrando ainda mais silenciosamente dentro desse léxico fantástico.

E eu quero desafiar esse léxico. Muita gente gosta de usar esse gênero de fantasia pra justificar comportamentos preconceituosos, usando principalmente do argumento “MAS NAQUELA ÉPOCA”. E é disso que se tratará essa série de textos. Eu quero desafiar a noção do público da Fantasia Medieval. De o que “aquela época” significa. E com isso talvez você saia daqui aprendendo alguma coisa nova. Continuar lendo

Apropriação Transgênera (Um Resumo) – SBGames 2017

Nos dias 2, 3 e 4 de Novembro desse ano (2017) aconteceu a 13ª SBGames, um evento nacional sobre a pesquisa acadêmica e o desenvolvimento de videogames. E foi uma SBGames bastante especial por que a Thais Weiller – mulher mais incrível deste planeta – estava lá e resolveu montar um espaço pra gente falar de diversidades nos jogos, prontamente chamado de Jogos Diversos.

Este espaço foi ocupado por palestras maravilhosas de projetos e pesquisas que estão acontecendo ao redor desses temas, junto com rodas de conversa contando com a participação de algumas pessoas bastante incríveis como a Letícia Rodrigues, Beatriz Blanco, Lucas Goulart, Tainá Félix, Luiz Bragança, Tathiana Sanches, e mais um mundo de pessoas que eu não tenho como lembrar o nome e/ou linkar os seus projetos.

Tiveram duas mesas das quais eu participei, e eu quero falar das minhas apresentações nessas mesas aqui no blog porque muita gente tem me falado “nossa, que legal, Felicia. Do que você falou?” e eu posso simplesmente linkar este post para elas. Sem falar que na primeira apresentação eu estava nervosa que só o diabo e não consegui falar tudo que eu queria. Espero poder compensar aqui.

Mas uma dessas apresentações não será necessário falar sobre por que no Dia 4 eu basicamente só repeti as coisas que estão escritas no post recente Um Caso de Consequências – Hellblade, The Cat Lady, Downfall e Atipicidades Mentais.

A apresentação do Dia 3 foi uma compilação de outros assuntos que tratei no blog, mas eles estão espalhados de forma confusa. Então por que não fazer um post no blog resumindo essa história da mesma forma que fiz na SBGames?

Vamos lá! Continuar lendo

Dicas de Narratriz #1 – Organizar Informações

Narrar RPG de mesa é difícil. Não vamos mentir, é sim. E se tu quiser tomar o papel de narrador, narradora, narratriz ou como quer que você queira se entitular, você vai ter que dedicar boa parte do seu tempo pra preparação de suas campanhas. E até o mais improvisador de todos os narradores pode se beneficiar de algum preparo.

Eu narro apenas a 6 anos, e eu não sou DE FORMA ALGUMA uma expert. Existem pessoas muito mais experientes que eu por aí que escreveram livros sobre o assunto, e meus jogadores sabem o quanto eu consigo me embananar de vez em quando.

Mas conhecimento existe para ser compartilhado, por menor que ele seja. E eu acredito que narradores mais iniciantes podem tirar proveito dessas dicas.

Uma das grandes barreiras da narração de RPGs de mesa, é organizar todas as informações necessárias na sua cabeça. Felizmente nós temos escudos e papéis pra fazer essas organizações.

Eu creio que essas dicas são as quais eu tenho mais propriedade pra falar então começaremos por aqui mesmo, organização. E quaisquer outras dicas são mais que vem vindas nos comentários.

Mas vamos ao que interessa. Continuar lendo

Implementações para Dragon Age RPG no Roll.20.net: Iniciativa, token actions e abilities

Só pra não perder o pique, aqui vai outro tutorial pra facilitar jogos de Dragon Age RPG no Roll20. Essa foi a primeira parte.

Como discutido antes, vários elementos de Javascript só estão disponíveis se você pagar 10 dólares ao mês pro site, e esse tutorial, bem mais que o anterior, vai assumir que você não tem nenhum acesso aos APIs da sua mesa.
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Implementações para Dragon Age RPG no roll20.net: Macros

Esse é meu primeiro tutorial de programação no blog! To expandindo!

Deve ser influência da Thais Weiller que esses dias acidentalmente deu uma aula de introdução ao Twine no Algures da UTFPR hauheuaheuhauhe.

O Roll20.net é uma excelente ferramenta para você narrar seus jogos de RPG. E ele é tão útil para jogos presenciais quanto para aqueles jogados pela internet.

Este aplicativo de browser suporta vários sistemas de jogo diferentes, inclusive o Dragon Age RPG. E quando você começa uma mesa nele, fichas pro sistema que você escolheu já são geradas para os seus jogadores preencherem. Ou você mesmo preencher. Nele você pode colocar mapas que podem ser montados no próprio aplicativo ou através de programas externos.

O roll20 oferece várias facilidades, como a possibilidade de criar botões que fazem rolagens complexas automaticamente. E é disso que vamos falar aqui.

Infelizmente não existe (ou pelo menos não existia até agora) tais botões disponíveis para DA. Mas eu tomei a liberdade de desenvolver eles e dividir os códigos com vocês. Continuar lendo