Mas Naquela Época! Elfos, Fadas e Anões.

Orlando Bloom de peruca loira surfando uma escadaria com um escudo enquanto atira flechas certeiras num exército de orcs. Se Tolkien já havia solidificado uma ideia de elfos bastante particular na mente das leitoras de fantasia, Peter Jackson criou uma imagem ainda mais incrível na mente do público geral.

Elegantes, esguios, sem pelos faciais, extremamente atraentes e amantes de todas as coisas da natureza. Tolkien, Gygax, Jackson e todos os seus contemporâneos e sucessores resolveram representar elfos assim, como seres de luz e sabedoria que vieram de outro mundo. Romântico, não?
Mas essa não é a única forma de se representar elfos.

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Mas Naquela Época! Raças e o Trono de Ouro

Há MUITO tempo atrás eu escrevi duas matérias sobre como preconceito sexual surgiu na história do nosso mundo e como ele acabou sendo refletido de maneiras positivas e negativas dentro da Fantasia Medieval. E eu ia continuar o assunto explicando como Dragon Age lida com esse legado do nosso mundo para criar uma experiência muito diferente e refrescante.

Mas eu e Dragon Age terminamos o nosso relacionamento. Eu olhei pra todos os abusos incentivados pelo estúdio responsável pelo meu cenário de RPG favorito; olhei para o fato de que ele logo provavelmente será abandonado pela EA Games; olhei para todos os suplementos que ainda teriam que ser lançados para tornar Dragon Age um jogo verdadeiramente bom; e olhei pra Green Ronin simplesmente desistindo de esperar e lançando Fantasy Age no lugar. Olhei pra isso tudo e me senti obrigada a olhar nos olhos de Dragon Age e dizer “sinto muito, mas não tenho como continuar desse jeito”.

Nos abraçamos com um último beijo no seu rosto e partimos para onde os ventos pudessem nos levar.

Eu não sei onde Dragon Age está agora, mas eu me senti desolada depois do nosso término. Procurei e procurei por substitutos apropriados. Terry Pratchett? Shadowlord? Nada satisfazia o vazio ideológico deixado por Dragon Age. Então eu decidi tentar o impossível: Criar meu próprio cenário!

Depois de muitas noites mal dormidas olhando pra uma tela vazia do Word, eu finalmente consegui fazer… Algumas raças pra jogar com o sistema Modern AGE. E aí eu desisti de vez porque The Witcher apareceu como um bom substituto e eu não precisava mais fritar minha cabeça criando meu próprio cenário.

Mas aí eu pensei. Criar um cenário pode ser útil como exercício para analisar algumas problemáticas comuns dos mundos de Fantasia Medieval. Então, nesse texto, além de trazer pra vocês a problemática das Raças na Fantasia Medieval, introduzirei pra vocês O Trono de Ouro, uma fantasia da era das navegações sobre luta de classes e conflitos culturais.

E como eu comecei a escrever o cenário pelas suas dinâmicas raciais, acredito que esse seja o melhor ponto para começarmos nossa jornada.

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Mas Naquela Época! História do Preconceito Sexual na Fantasia Medieval

Trigger Warning: Weird Tales. As Crônicas de Gor. Não tente satisfazer sua curiosidade mórbida.

Enrolei pra caralho. Mais de um mês, mas aqui estou de volta ao reino dos mortais para falar de Fantasia Medieval e do porque eu gosto tanto de Dragon Age e não consigo calar a boca sobre esse negócio. Mas antes de falar da desconstrução do gênero, é bom a gente falar da construção dele. Em específico sobre a relação dele com preconceitos sexuais.

Da última vez nós falamos da origem dos preconceitos sexuais no nosso mundo. E aquela foi uma discussão extremamente interessante e elucidativa, mas por que ela é importante pra falar de fantasia? Fantasia é o que quer que surja nas nossas imaginações, não é mesmo? Então por que isso deveria importar? Continuar lendo

Mas Naquela Época! Introdução & História do Preconceito Sexual

Fantasia Medieval. Meu gênero de ficção favorito pra ser honesta. Ele nos da dragões, magia, e uma base semelhante o suficiente a história do nosso próprio mundo pra explorar problemas mais pé no chão que talvez não sejam possíveis nos gêneros de ultra-high-fantasy ou sci-fi.

Okay, talvez isso seja só uma desculpa pra um certo fetichismo nórdico criado por Tolkien. Mas é um gênero MUITO popular! Principalmente no mundo do RPG. E justamente por ser tão popular ninguém pensa muito sobre. “Ah, é só mais um D&D” pensam os céticos quando olham pra uma caixa de Dragon Age. Mas o conteúdo dessas caixas escondem muito mais do que cavaleiros e dragões.

John R. R. Tolkien, Robert E. Howard, Dave Arneson e Gary Gygax criaram todas as regras silenciosas da Fantasia Medieval que ninguém questiona ou põe a prova. E os seus trabalhos eram abertos o suficiente (principalmente do Gygax) pra que qualquer suposição que o seu publico alvo tenha sobre a realidade acaba entrando ainda mais silenciosamente dentro desse léxico fantástico.

E eu quero desafiar esse léxico. Muita gente gosta de usar esse gênero de fantasia pra justificar comportamentos preconceituosos, usando principalmente do argumento “MAS NAQUELA ÉPOCA”. E é disso que se tratará essa série de textos. Eu quero desafiar a noção do público da Fantasia Medieval. De o que “aquela época” significa. E com isso talvez você saia daqui aprendendo alguma coisa nova. Continuar lendo

Dicas de Narratriz #1 – Organizar Informações

Narrar RPG de mesa é difícil. Não vamos mentir, é sim. E se tu quiser tomar o papel de narrador, narradora, narratriz ou como quer que você queira se entitular, você vai ter que dedicar boa parte do seu tempo pra preparação de suas campanhas. E até o mais improvisador de todos os narradores pode se beneficiar de algum preparo.

Eu narro apenas a 6 anos, e eu não sou DE FORMA ALGUMA uma expert. Existem pessoas muito mais experientes que eu por aí que escreveram livros sobre o assunto, e meus jogadores sabem o quanto eu consigo me embananar de vez em quando.

Mas conhecimento existe para ser compartilhado, por menor que ele seja. E eu acredito que narradores mais iniciantes podem tirar proveito dessas dicas.

Uma das grandes barreiras da narração de RPGs de mesa, é organizar todas as informações necessárias na sua cabeça. Felizmente nós temos escudos e papéis pra fazer essas organizações.

Eu creio que essas dicas são as quais eu tenho mais propriedade pra falar então começaremos por aqui mesmo, organização. E quaisquer outras dicas são mais que vem vindas nos comentários.

Mas vamos ao que interessa. Continuar lendo

Dados! De 1 a 120 lados.

Todes conhecem o bom e velho dado de 6 lados. Ele é simples, bonito e funciona. Você não precisa pensar muito para ver o resultado de uma rolagem de um d6, todo mundo tem pelo menos 1 d6 em casa, e d6 geralmente é o dado mais comum e barato nas lojas de jogos.

Então porque qualquer pessoa usaria um dado que NÃO é o d6?

GURPS, AGE e Fate concordariam que os outros tipos de dados são desnecessários, mas Storyteller, D&D, Savage Worlds e muitos outros RPGs discordam. E eu também. Continuar lendo

Quantificando Aparências, Parte 2

Na primeira parte dessa matéria nós falamos sobre os problemas que sistemas sociais muito simples podem gerar em uma mesa de RPG, introduzimos a ideia de PdP (Pontos de Personagem), e falamos sobre como o atributo Aparência do sistema Storyteller não faz sentido nenhum.

Mas também dissemos que a edição de 20 anos de Vampiro: A Máscara consertou esse problema. Agora nós vamos falar dessa “resolução” criada na edição de 20 anos, e de outros jogos que trataram desse problema de forma diferente: Storytelling e AGE. Continuar lendo

Quantificando Aparências, Parte 1

Arte por NellielTu

Aspectos sociais de RPGs de mesa costumam ser importantíssimos, mas muitas vezes acabam se tornando mecânicas de segundo plano em frente ao combate.

Poucos são os jogos em que a habilidade de seduzir e a habilidade de diplomacia são duas coisas diferentes com seus próprios méritos. E de qualquer maneira, ambas as habilidades muitas vezes acabam se facilitando graças a aparência física da pessoa em questão.

Entretanto, quando se trata de quantificar essas habilidades na hora de jogar, tudo isso acaba se confundindo com “a personagem é bonita”. E isso é um problema. Continuar lendo