A Beleza do Desequilíbrio

Vamos dar uma pausa na discussão sobre gênero pra falar de algo mais técnico que eu venho querendo abordar faz tempo.

Tem uma palavra que sempre que eu ouço, fazem meus ouvidinhos de designer coçarem como se eu tivesse com sarna. “Balanceamento”. E não é só o falso cognato com a palavra balancing que me deixa louca. O principal é o quanto as pessoas dão uma importância desnecessária pra isso.

Nem todo jogo precisa ser equilibrado. A falta de equilíbrio entre as forças opostas de um jogo muitas vezes são necessárias para garantir a força do tema do jogo, e a fluidez das suas mecânicas. Tentar “equilibrar” o seu jogo para que todas as partes tenham a mesma chance de “vencer” pode ser um grande desperdício de tempo, dinheiro e energia que acaba criando algo virtualmente inútil. Continuar lendo

Quantificando Aparências, Parte 2

Na primeira parte dessa matéria nós falamos sobre os problemas que sistemas sociais muito simples podem gerar em uma mesa de RPG, introduzimos a ideia de PdP (Pontos de Personagem), e falamos sobre como o atributo Aparência do sistema Storyteller não faz sentido nenhum.

Mas também dissemos que a edição de 20 anos de Vampiro: A Máscara consertou esse problema. Agora nós vamos falar dessa “resolução” criada na edição de 20 anos, e de outros jogos que trataram desse problema de forma diferente: Storytelling e AGE. Continuar lendo

Quantificando Aparências, Parte 1

Arte por NellielTu

Aspectos sociais de RPGs de mesa costumam ser importantíssimos, mas muitas vezes acabam se tornando mecânicas de segundo plano em frente ao combate.

Poucos são os jogos em que a habilidade de seduzir e a habilidade de diplomacia são duas coisas diferentes com seus próprios méritos. E de qualquer maneira, ambas as habilidades muitas vezes acabam se facilitando graças a aparência física da pessoa em questão.

Entretanto, quando se trata de quantificar essas habilidades na hora de jogar, tudo isso acaba se confundindo com “a personagem é bonita”. E isso é um problema. Continuar lendo

Visibilidade trans no M20!

Cara, eu AMO a Onyx Path Publishing! Eles são tipo a BioWare dos jogos de mesa.

Ontem eu encontrei esse bloco de texto da edição de 20 anos de Mago: A Ascensão enquanto surfava pela internet. E meu respeito pelos caras que trabalham na Onyx Path triplicou depois dessa.

O texto fala sobre fluidez de gênero e sexualidade entre os magos e os adormecidos (pessoas que não sabem fazer magia) e sobre a interpretação de personagens de realidades culturais diferentes da sua.

REPRESENTATIVIDADE IMPORTA SIM! É sempre bom ver obras incluindo pessoas trans e outras identidades de gênero como parte da sua realidade. Mesmo que seja em um jogo de nicho feito pra um publico hardcore de uma mídia super underground, como é o caso de Mago: A Ascensão.

Aqui vai uma tradução minha do conteúdo:

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