Electronic Asco, ou, Como o Capitalismo Destrói Tudo Que Você Ama Dragon Age Edition

Na manhã do dia 2 de Abril de 2019, Jason Schreirer publicou no Kotaku uma história muito interessante e dolorosa sobre como aconteceu o turbulento desenvolvimento de um dos jogos mais decepcionantes da atualidade: Anthem.

How Bioware’s Anthem Went Wrong

Eu pensei em entrar em contato com o Kotaku pra ter permissão de traduzir a história toda como ela foi realmente escrita, mas eu não tenho certeza ainda de como fazer esse contato (até porque o grupo Gizmodo já tem uma filial brasileira, mas eles parecem mais interessados em carro do que em videogame).

Enquanto isso não acontece eu preciso pelo menos tirar isso do meu sistema: Eu estou mais que decepcionada. Eu estou profundamente horrorizada.

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Gratidão e Minecraft no Equinócio de Março de 2019

Eu sei. As coisas andam meio estressantes ultimamente e não parece que tem muita coisa pra gente ser grata acontecendo. O mundo tá uma bosta e as nossas vidas pessoais provavelmente também estão uma bosta. E se você quiser botar a culpa nas estrelas, a estrela em questão é o Sol, que no dia de hoje entra em equinócio com o nosso planeta e logo deixará de agraciar o hemisfério Sul com seu calor escaldante.

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Resenha: Black Mirror Bandersnatch

“Black Mirror é uma série insuportável.” Disse Thiago Baptista, e eu estrondosamente gritei “SIM, OBRIGADA” porque eu detesto essa série. Mas… Eu gostei de Bandersnatch? E eu não vi ninguém falando das mesmas coisas que eu acabei gostando desse filme-jogo.

Versão sem Spoiler: É divertidinho. Se você gasta 2 horas da sua vida discutindo política com estranhos na internet, você pode gastar 2 horas num joguinho bobo em um serviço que provavelmente você já assina e não tem que pagar nada a mais. ¯\_(ツ)_/¯

Mas fica o aviso de conteúdo pra quem pode sofrer triggers com algumas coisas mostradas: drogas alucinógenas, suicídio, gore.

Okay, agora o texto de verdade.

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Lughnasadh 2019, Donkey Kong 64 & Visibilidade Trans

Sabe quando você está jogando um RPG medieval qualquer, e aí você chega num vilarejo aleatório e está tendo um “festival da colheita” cheio de jogos, brincadeiras, e quitutes deliciosos? Mas, principalmente, um campeonato que suas personagens provavelmente vão ser obrigadas a participar?

Talvez a sua narradora não saiba, mas isso provavelmente foi baseado numa celebração que os antigos irlandeses chamariam de Lughnasadh, que ainda acontece tradicionalmente no dia 1 de Agosto na Irlanda e outros lugares que herdaram essa cultura no hemisfério norte, ou no dia 2 de Fevereiro para neo pagãs do hemisfério sul.

E o Lughnasadh foi bastante especial esse ano, graças a Donkey Kong 64, sereias e um certo menino que adora soja.

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Apesar de tudo, jogos ainda são arte.

Eu to tentando falar sobre videogames como arte desde que a Thais Weiller publicou “Jogos Não São Arte” (texto que você provavelmente deveria ler), e eu queria muito elaborar um contra ponto pra mostrar o quanto eu discordo do seu ponto, mas, no final das contas, depois de 2 anos de deliberação, eu noto que ela está certa… Mais ou menos.

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Solstício de Dezembro de 2018

Esse post se trata da religião Wiccana. Mas também tem anúncios e esclarecimentos em uma segunda parte para a qual quem não tem interesse em religião poder pular só pra se manter atualizada.

Desde que a página do Facebook começou lá em 2015 eu tenho feito um leve trabalho de feitiçaria cibernética junto com esse projeto. Esse trabalho consistia em escrever textos na página para refletir sobre os 8 Sabbaths da Roda do Ano druídica e wiccana (algumas pessoas chamam ela de Roda do Ano Celta, mas eu não acho que seja possível afirmar o contexto histórico que justifique esse termo).

Esses textos haviam sido delegados ao Facebook, pois é um lugar casual onde eu não necessariamente preciso manter algum tipo de “tema”. Mas com um novo ano gregoriano chegando e a perspectiva da minha provável iniciação se aproximando, eu decidi que a conexão do meu trabalho profissional e acadêmico é importantíssima. Com o desejo de mudar algumas coisas por aqui, trago então esses textos também, que ao decorrer do projeto serão escritos conforme novos temas e reflexões sobre essas importantes épocas do ano forem surgindo.

Gostaria de lembrar antes de começar que as histórias que eu trarei aqui geralmente não fazem parte do consenso que as pessoas chamam de “celta”. Eu vou estar falando de vários mitos e interpretações que acabam fugindo das leituras clássicas de Gardner e Farrar porque a Roda do Ano é pra ser algo pessoal. Se algo que eu disser aqui ressoar contigo, mais poder pra nós. Se não, vida que segue e incentivo você a encontrar seus próprios mitos.

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Mas Naquela Época! História do Preconceito Sexual na Fantasia Medieval

Trigger Warning: Weird Tales. As Crônicas de Gor. Não tente satisfazer sua curiosidade mórbida.

Enrolei pra caralho. Mais de um mês, mas aqui estou de volta ao reino dos mortais para falar de Fantasia Medieval e do porque eu gosto tanto de Dragon Age e não consigo calar a boca sobre esse negócio. Mas antes de falar da desconstrução do gênero, é bom a gente falar da construção dele. Em específico sobre a relação dele com preconceitos sexuais.

Da última vez nós falamos da origem dos preconceitos sexuais no nosso mundo. E aquela foi uma discussão extremamente interessante e elucidativa, mas por que ela é importante pra falar de fantasia? Fantasia é o que quer que surja nas nossas imaginações, não é mesmo? Então por que isso deveria importar? Continuar lendo

Representando a expressão não binária

Deusa abençoe a desenvolvedora que apareceu pra falar comigo ante-ontem pedindo conselhos sobre inclusão não-binária pro jogo dela.

Sério, amiga. Sem você eu não teria o que postar esse mês no  blog (mentira, teria sim, mas eu to enrolando o máximo possível pra falar sobre o assunto que eu tenho guardado aqui comigo).

Então vamos falar sobre expressão de gênero e o que fazer pra incluir pessoas não-binárias na sua obra. Continuar lendo

Persona 5 Um Problema de Idades?

CW: Discussão sobre pedofilia.

Persona 5 é um joguinho complicado né? Não, não mecanicamente. Ele é complicado de se falar sobre os temas. E não, não é por causa que os temas são pesados. E sim porque as mensagens que ele passa são contraditórias.

E dependendo do seu olhar, o jogo parece ter umas definições um pouco maleáveis demais do que é ou não é uma relação sexual aceitável. É uma questão complicada de um jogo complicado vindo de uma cultura complicada. E eu quero falar dessas complicações.

Spoilers adiante. Continuar lendo