O Sacrifício do Herói e A Jorndada da Heroína: Dark Souls e Hellblade

Se imagine no escuro. No frio. Você sabe que há um mundo lá fora esperando por você e seus colegas, mas ele é inalcançável. Mas ali você encontra uma chama. Uma chama tão forte que lhe confere o poder – não – a responsabilidade de levar o seu povo para o mundo lá fora, destruir aqueles que os aprisionaram, e tomar esse mundo como vosso.

É o que aconteceu com Gwyn no prelúdio de Dark Souls, aclamado videogame desenvolvido pelo estúdio FromStofware.

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A Beleza do Desequilíbrio

Vamos dar uma pausa na discussão sobre gênero pra falar de algo mais técnico que eu venho querendo abordar faz tempo.

Tem uma palavra que sempre que eu ouço, fazem meus ouvidinhos de designer coçarem como se eu tivesse com sarna. “Balanceamento”. E não é só o falso cognato com a palavra balancing que me deixa louca. O principal é o quanto as pessoas dão uma importância desnecessária pra isso.

Nem todo jogo precisa ser equilibrado. A falta de equilíbrio entre as forças opostas de um jogo muitas vezes são necessárias para garantir a força do tema do jogo, e a fluidez das suas mecânicas. Tentar “equilibrar” o seu jogo para que todas as partes tenham a mesma chance de “vencer” pode ser um grande desperdício de tempo, dinheiro e energia que acaba criando algo virtualmente inútil. Continuar lendo

Dark Souls Não É Tão Difícil

Eu não sou o tipo de pessoa que fica por aí nos Reddits e nos fóruns de videogame procurando discutir os últimos lançamentos da indústria. Esses ambiente já são suficientemente nocivos para quem já faz parte deles faz tempo. Pra uma mulher trans que acabou de chegar seria a mesma coisa que se jogar numa jaula de hienas famintas: Desnecessário.

Mas sempre que eu converso nos poucos círculos gamers que eu possuo, há uma atitude em relação a Dark Souls que eu só consigo entender como fazendo parte do machismo que existe no mundo dos jogos e de uma suposta “meritocracia” que divide “gamers de verdade” e “casuais”.

Porque a maioria das pessoas não tem interesse em jogar Dark Souls? Ele é muito difícil. Um amigo meu uma vez me falou que não entende “como alguém pode querer jogar um jogo difícil só por ser difícil?” Todomundo fala sobre o quanto você vai morrer jogando Dark Souls, de novo e de novo, e até o nome da edição especial do primeiro jogo se chama “Prepare to Die”. “Prepare-se para morrer”.

Entretanto, tudo isso não passa de uma barreira psicológica. Um estigma social que foi colocado ao redor da série pelos fãs e pela desenvolvedora. Dark Souls não é tão difícil assim. Continuar lendo

20 Mulheres ALBT fictícias que inspiram a Felicia

Okay, eu sei que faz um tempo que o dia da mulher já passou, mas, ei! Antes tarde duke nukem.

Me inspirei num texto da Clarice do Ideias em Roxo e resolvi fazer uma lista de um monte de minas fictícias que eu curto pra caramba, mas a lista ficou grande demais, então eu fiz uma lista de personagens que me inspiram, e ainda assim ela ficou longa pra caralho, então eu encurtei mais ainda pra mulheres ALBT fictícias que me inspiram!

Isso inclui mulheres cis lésbicas, assexuais e bi/pan/poli/multi/omnissexuais, mulheres trans e pessoas transfemininas de todas as sexualidades, e pessoas com gênero fluído que passam boa parte do tempo se apresentando como mulheres.

E mesmo assim a lista ficou gigantesca. São 20 mulheres divididas em 16 itens e 4 categorias. E ainda tem mensões honrosas.

Antes de prosseguirmos com a lista, alguns esclarecimentos:
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Porquê Gone Home é meu jogo favorito

A mais ou menos 6 meses atrás, eu estava no meu quarto, procurando joguinhos independentes pra jogar que rodassem no meu PC. Eu ouvi dizer que Gone Home era legal e leve, e resolvi baixá-lo. Fiquei decepcionada quando vi meu PC rodando ele a menos de 30 FPS com os gráficos mínimos, e eu não fazia ideia da viagem na qual eu estava me metendo.

Spoilers de Gone Home adiante. Continuar lendo

Trans In Games – Dark Souls – Dark Sun Gwyndolin

Lembram quando descobriram a moça trans em Guild Wars 2? Naquele dia eu me deparei com outra personagem que eu não fazia ideia de que era trans, ou de que o jogo ao qual ela pertence tinha isso na sua narrativa.

Então eu pensei… Vamos falar das personagens trans em videogames! Nós somos tão apagades, todos os dias, inclusive nos próprios videogames. E infelizmente personagens fictícias não tem bocas de verdade pra se impor o respeito que merecem graças à transfobia de todo dia. Eu vou falar sobre essas personagens, e de uma forma, por elas. Mesmo que eu diga que a sua narrativa seja transfóbica.

Mas hoje eu quero dar um bom exemplo de representação trans em videogames. E provavelmente o mais complexo de todos.

E cuidado que esse post contém “spoilers” de Dark Souls!

Talvez no futuro eu olhe esse texto e pense: “ele não faz juz à graça do Sol Negro”. Mas farei o meu melhor pra falar sobre a minha querida.. Continuar lendo