Trivialização da morte e fantasias de superação

Eu tenho sentimentos muito intensos relacionados a bombas nucleares.

Isso pode soar um pouco ridículo, considerando que sou uma guria branca de 26 anos de idade que nasceu e viveu sua vida inteira no Brasil. Mas eu sempre sinto uma angústia muito profunda dentro de mim quando eu ouço falar sobre qualquer coisa envolvendo os ataques nucleares contra Hiroshima e Nagasaki no final da segunda guerra mundial.

Acho, então, que esse seja o motivo pelo qual o primeiro filme de Godzilla, de 1954, me causa tanta catarse emocional.

Você consegue parar pra imaginar o horror que representa o Godzilla? Um monstro tão grande e poderoso que é capaz de destruir o seu lar e matar todas as pessoas que você ama pelo simples ato de andar.

Além disso ele é indestrutível. Revivido pelas monstruosas armas nucleares da américa do norte, não existe nada que o pequeno arsenal de defesa pessoal do povo japonês possa fazer. E mesmo assim, o povo japonês perdura.

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As várias origens de Godzilla – De 1954 a 2016

O ser imortal que a cada dois anos surgia das profundezas do oceano pacífico para espalhar terror (ou impedir o terror de se espalhar, é bem inconsistente) através do Japão morreu aquilo que parecia ser a sua morte definitiva em 1995 no filme Godzilla vs. Destroyah, mas um Deus, como sugere o nome do monstro (God, Deus em inglês), nunca realmente morre. Ele simplesmente torna às profundezas da Terra para acordar novamente.

A primeira aparição de Godzilla (originalmente, Gojira) na costa de Tóquio e nos cinemas de Nagoya aconteceu em 1954, e desde então foi criado todo um gênero de filmes de monstros gigantes cujo único semelhante em toda a ficção teriam sido os contos de dragões nos primórdios da história escrita. E bem como os grandes dragões orientais, o Godzilla é sábio, vingativo e efetivamente imortal.

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