She-Ra, Marvel e As Princesas Sapatão

Final de abril vai estrear o novo filme dos Vingadores, e eu até pensei em entrar no trem do hype e fazer algo relacionado aos filmes da Marvel. Mas pra que bater em cachorro morto?

Filmes da Marvel não são nada além de bons. Filmes gostosos de ver no cinema e comentar com os amigos, mas no final das contas é o mesmo filme sendo lançado 3 vezes por ano.

Capitã Marvel, entretanto, me intrigou. Não sobre o filme em si – ele é exatamente como todo mundo esperava que ele fosse – mas sobre uma outra super heroína loira consideravelmente parecida. E o produto criado para promover essa outra super heroína é muito mais interessante pra mim como crítica midiática do que a Capitã saiya-jin.

Essa super heroína é a She-Ra de She-Ra E As Princesas do Poder, desenho animado lançado em 2018 na Netflix que ganhará uma segunda temporada na mesma semana do lançamento de Vingadores: Ultimato no final desse mês.

Então como uma boa crítica interessada em trabalhos audiovisuais envolvendo super-heroínas eu vou falar sobre She-Ra e todas as suas semelhanças e diferenças com as heroínas da Marvel, do Steven Universo e dos demais trabalhos de Noelle Stevenson.

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Sim, nem todo homem

Se você sincera e completamente acredita todo homem cis heterossexual é um monstro estuprador com tentáculos saindo das calças só esperando uma buceta pra violar… Você tem uma noção bastante limitada sobre masculinidade, hein, amigue?

Eu entendo ter nojinho de homem – eles normalmente tem cheiro de testosterona e comida presa na barba. E eu entendo ter medo de homem – eu nem consigo abraçar a maioria deles.

Mas mandar ele ficar quieto e ameaçar cortar o pênis dele só por ele estar expressando uma opinião inofensiva que você não concorda SÓ por ele ser homem é ir um pouco longe demais e é uma prática muito potencialmente transfóbica. Continuar lendo

Terra-Média: Sombras de Sexismo

Nunca teve muitas personagens femininas em Senhor dos Anéis, e eu serei a primeira fã da série a admitir isso. Mas as poucas que estão lá são muito legais: Galadriel, Arwen, Éowyn (que é a personagem mais foda da série, diga-se de passagem). Nenhuma personagem é trans, mas o livro foi escrito em 1937~45. Vamos dar um desconto pro autor né?

Acontece, que em 1937 o Tolkien já tinha noção de que mulheres não precisam ser troféus pra história de um cara ou estar sempre em perigo. Mesmo a Arwen, que é a personagem mais sem sal dos filmes (eu detesto os livros de Senhor dos Anéis. Me crucifiquem), tem seus vários momentos de heroísmo.

Mesmo assim em pleno ano 2014, escritores da Monolith Games que trabalharam em Terra-Média: Sombras de Mordor não conseguem escrever UMA porra de uma personagem feminina que não seja uma donzela em perigo.

Em um jogo baseado na obra do Tolkien, ainda por cima.

Eu me senti particularmente ofendida com isso.

Aqui tem spoilers de O Senhor dos Anéis e Terra-Média: Sombras de Mordor (mas sério, a história desse jogo é uma bosta. Não ligue pra spoilers de histórias bostas). Continuar lendo

Jade Empire, O Império dos Homens

Jade Empire foi o nono RPG desenvolvido pela Bioware, e ele geralmente é reverenciado como “um dos jogos mais revolucionários de sua época”. E mesmo 10 anos depois, o jogo tecnicamente se manteve muito bem. Os gráficos são os melhores que saíram pro Xbox original, a trilha sonora é ótima, e a gameplay mudou para sempre a forma como pensaríamos RPGs ocidentais de ação, mas o machismo… Por que as pessoas deliberadamente escolhem ignorar o machismo que existe nesse jogo?

Esse post contém spoilers de Jade Empire.

Trigger Warning: Menções de Feminicídio

Lukas Kristjanson e Mike Laidlaw, se vocês querem me foder, paguem um jantar antes. Continuar lendo