Travestis Primaveris jogando Õkami no Imbolc de 2019

Dia 1 de Agosto, a última quinta-feira, foi o Imbolc de 2019 no hemisfério Sul. E como eu tenho feito desde o último solstício venho aqui fazer um pequeno trabalho de magia cibernética para conectar o blog com as energias da Roda do Ano. Só que dessa vez eu cheguei um pouquinho tarde porque tinha algumas outras coisinhas pra resolver antes no meu Imbolc. Tipo limpar a casa e me livrar de coisas que ex namoradas deixaram dentro do meu coraçãozinho me COMENDO VIVA.

É. É disso que Imbolc se trata. O inverno acabou e agora é hora de tirar toda essa lama do jardim e tirar as carcaças dos bichos que morreram no último inverno pra primavera poder vir.

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Lughnasadh 2019, Donkey Kong 64 & Visibilidade Trans

Sabe quando você está jogando um RPG medieval qualquer, e aí você chega num vilarejo aleatório e está tendo um “festival da colheita” cheio de jogos, brincadeiras, e quitutes deliciosos? Mas, principalmente, um campeonato que suas personagens provavelmente vão ser obrigadas a participar?

Talvez a sua narradora não saiba, mas isso provavelmente foi baseado numa celebração que os antigos irlandeses chamariam de Lughnasadh, que ainda acontece tradicionalmente no dia 1 de Agosto na Irlanda e outros lugares que herdaram essa cultura no hemisfério norte, ou no dia 2 de Fevereiro para neo pagãs do hemisfério sul.

E o Lughnasadh foi bastante especial esse ano, graças a Donkey Kong 64, sereias e um certo menino que adora soja.

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Eu Sou Uma Mulher Trans. Estou No Armário. Não Vou Sair Dele.

Antes de vocês passarem pro texto da Jennifer, eu, a editora, Felicia Guerreiro, gostaria de fazer umas observações.

Esse texto não é a coisa mais polêmica do mundo na internet anglófona (que fala inglês), mas várias ideias apresentadas aqui provavelmente vão demolir algumas ideias de transgeneridade populares na comunidade LGBT e feminista brasileira. A autora do texto também desafia a forma como o feminismo é feito e propagado nos dias de hoje enquanto conta uma história muito íntima sobre a sua transgeneridade. E eu AMO essa autora por isso.

Não tomo as palavras dela como as minhas, mas defendê-las-ei com tudo que tenho.

E esse texto também tem uma linguagem um pouco acadêmica e difícil de entender. Eu geralmente não gosto de publicar esse tipo de texto, mas abri uma exceção pela mensagem aqui ser poderosa demais pra deixar passar.

TEXTO ORIGINAL

Eu Sou Uma Mulher Trans. Estou No Armário. Não Vou Sair Dele.

Texto por Jennifer Coates; Traduzido por Felicia Guerreiro

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Sobre Passabilidade E Disforia

Arte por Tessa Black

Aí a Felicia aparece aqui pra vocês dizendo “passabilidade não existe e pessoas cis são bobonas”. E aí? Como é que fica esse abalo das estruturas da ideia de transgeneridade? Provavelmente não vai abalar porra nenhuma pra você porque eu não sou a primeira pessoa trans no Brasil apontando o quão ridícula é essa ideia de passabilidade.

Mas quanto mais vozes melhor né? E algo meio besta aconteceu comigo uns dias atrás pra provar que passabilidade cisgênera simplesmente não existe. Continuar lendo

Hey, I’m cis! And I’m also cis!

Aaand we’re the Cis Grumps!

Uma das coisas mais frustrantes do mundo é ser fã de uma mídia transfóbica.

Sabem quando você tá assistindo aquele programa de TV super legal e aí falam “haha! Traveco!”. Ou você tá lá jogando Persona 3 super de boa e o Junpei “Você é um CARA?”.

Ou então, no meu caso, você está assistindo Game Grumps e o Arin fala “Sabe como alguns caras se identificam como mulheres? então, tem gente que se identifica com bicho. [insira piadas ridicularizando pessoas trans e otherkin aqui].”

É frustrante. É irritante. E eu to cansada.

Nesse post eu vou falar de algo mais pessoal e específico: Minha frustração, enquanto pessoa trans, com esse canal de Let’s Plays do YouTube chamado Game Grumps.

(Como eu não sabia com o que ilustrar o post, eu peguei umas fanarts maravilhosas da comunidade de Game Grumps que é igualmente maravilhosa… às vezes.) Continuar lendo

Apropriação Transgênera

Falar sobre personagens transgêneras em videogames é algo extremamente complicado porque elas não existem.

A maior parte de vocês sabe que isso é provavelmente a coisa que eu mais faço nesse blog: Falar de personagens trans em jogos de videogame. Mas tirando o Krem, a Erica e a Sya, nenhuma dessas personagens é canonicamente transgênera. Na verdade eu tenho uma lista enorme de personagens das quais falar na coluna Trans In Games, mas sabem quantas dessas personagens são canonicamente trans?

Quatro…

Então porque eu falei de tantas outras personagens falando que elas são trans, sendo que elas não são canonicamente trans?

É algo que eu tenho pensado muito comigo mesma e com algumas amigas trans minhas. E acho que isso seria algo chamado de “Apropriação Transgênera”. E isso é uma coisa boa e necessária pra gente conseguir criar o nosso próprio espaço na comunidade gamer.

E se você for um homem cis vindo aqui dizendo que a gente não pode se apropriar das personagens, nem se dê ao trabalho de ler o resto. Vai fazer algo útil tipo alimentar seus bichinhos de estimação. Eles precisam de ti. A gente não. Continuar lendo

Trans In Games – Dragon Age: Inquisition – Krem

Hoje nós vamos falar de: Meninos!

Ou melhor, homens.

Ou melhor, um homem muito específico.

Um homem que só de eu ver aqueles pixels perfeitos formando a mandíbula mais sexy do mundo e ouvir aquela voz de anjos guerreiros descendo para a Terra em proclamação de divindade já fico – sem eufemismos aqui – toda molhada.

E além desse homem ser a coisa mais sexy que já saiu de um videogame, ele é o primeiro homem trans a ser tratado com respeito e sem qualquer tipo de apagamento dentro de um videogame AAA.

Spoilers de Dragon Age: Inquisition (e em menor grau de DA: Origins, DA2, e da HQ, DA: Those Who Speak) à frente!

Muita gente nessa indústria tem o que aprender com Dragon Age e com… Continuar lendo

Trans In Games – Catherine – Erica Anderson

Você já ouviu falar em transmisoginia?

É quando até o nome da personagem trans do seu videogame favorito é uma “piada” em relação à sua identidade de gênero.

É quando uma mulher trans é tratada como um ser mentiroso e promíscuo cujo único objetivo na vida é “emgayzar” pobres homens héteros.

SPOILERS de Catherine à frente.

Hoje nós vamos falar das pequenas formas veladas de opressão masculina cisgênera, incorporadas na forma de… Continuar lendo

Criação de Personagens: Uma Proposta Não-Binária

Arte por carpenoctem.

Hoje ume seguidore da página do Facebook apareceu para fazer umas indagações interessantes sobre como melhor incluir pessoas transgêneras em jogos de videogame.

Mas não em relação a NPCs ou personagens com histórias fechadas, mas sim em avatares.

E eu devo admitir que fiquei surpreendida com o quão simples foi a minha resposta.

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